Ciência e Tecnologia Personalidades

James Hughes: um budista transhumanista e futurista

O transhumanismo é um movimento que visa ultrapassar as limitações humanas através da tecnologia, alcançando o máximo de potencialidades da evolução humano, deixando assim para segundo plano a evolução biológica e alcançando o patamar pós-humano. Dentro desta visão as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas são aumentadas, o sofrimento causado por doenças e envelhecimento é diminuído ou até erradicado e o tempo de vida de um ser humano será muito superior ao atual.

Se algum dia esta visão se tornar uma realidade, será que o budismo se tornaria obsoleto? Eu acredito que não, afinal, mesmo que as doenças fossem erradicadas e a esperança média de vida aumentasse substancialmente, um dia a morte iria acontecer, estaríamos sujeitos às 3 marcas da existência, continuaríamos a operar sob os 3 venenos mentais e questões existenciais estariam presentes. Todos os conceitos budistas continuariam a ser válidos, continuaríamos no Samsara. O que aconteceria é que os humanos seriam quase como os deuses ou devas referidos na cosmologia budista e por isso é provável que o budismo se tornasse menos apelativo, ainda assim, o budismo manteria a sua validade. Mas é bem duvidoso que um dia o “paraíso” transhumanista seja materializado na totalidade.

Vamos agora conhecer um pouco de James Hughes, um ex-monge budista e célebre transhumanista.

Hughes é um Americano formado em Sociologia. Antes da sua graduação foi ordenado temporariamente como monge budista enquanto fazia trabalho voluntário no Sri Lanka. Ele se descreve como um “budista agnóstico” tentando unir o iluminismo europeu com o budismo. Hughes também é um bioeticista. Atuou como diretor assistente de pesquisa do Centro MacLean de Ética Médica Clínica e foi diretor executivo da World Transhumanist Association. Atualmente é diretor executivo do Instituto de Ética e Tecnologias Emergentes e lidera o projeto “Buda Cyborgue” com dois dos membros do conselho do Instituto, um dos quais é um sacerdote Zen. A missão do projeto é “promover a discussão sobre o impacto que a neurociência e as neurotecnologias emergentes terão na felicidade, espiritualidade, liberdade cognitiva, comportamento moral e na exploração de estados mentais de meditação e êxtase”. Ele rejeita o bioconservatismo e o transumanismo libertário e defende o transumanismo democrático.

Como futurista, ele postula que a melhor coisa que se pode fazer é ter uma discussão genuína sobre quais as tecnologias irão beneficiar os humanos como um todo e garantir que sejam acessíveis a todos.

Ele só é a favor de tornar a tecnologia acessível se ela beneficiar a sociedade. O que não for benéfico e for negativo para as pessoas então deve ser banido. A liberdade, diz Hughes ao portal Buddhistdoor, “não significa que todos tenham permissão para fazerem o que quiserem, se vão prejudicar a si próprios ou aos seus filhos”. Ele realmente acha que o budismo fornece um certo conjunto característico de ferramentas e abordagens intelectuais que lhe têm sido muito úteis.

James Hughes disse à revista budista Tricycle que às vezes descreve o projeto Transhumanista Budista como um “esforço da Terra Pura”. Ele diz que: “Queremos construir um ambiente que maximize a nossa capacidade de crescimento e compreensão espiritual ou, para usar um termo mais secular, de mais florescimento. O nosso esforço tem um propósito diferente da simples autogratificação.”

Referências: Wikipedia, Buddhistdoor: The Techno-Optimist, Tricycle: Cyborg Buddha.

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