Meditação Psicologia Saúde e Bem-estar

A ciência mostra que a meditação pode melhorar a nossa qualidade de vida. O que acontece ao cérebro?

A meditação pode ser uma forma eficaz da redução do stress e tem o potencial de melhorar a qualidade de vida e diminuir os custos com a saúde. A meditação envolve a obtenção de um estado de consciência livre do excesso de pensamentos, a atividade excessiva da mente que produz stress é neutralizada sem reduzir a atenção e a eficácia.

O mestre tibetano de meditação Yongey Mingyur Rinpoche, tem sido um defensor dos benefícios da meditação e, numa entrevista em 2017 ao The Times of India, ele destacou a crescente evidência científica que apoia os seus ensinamentos.

Mingyur Rinpoche, que fundou os centros de meditação Tergar e que podem ser encontrados em todo o mundo, descreve como aos oito anos de idade sofria de um distúrbio de ansiedade mas conseguiu superar essa aflição por meio de uma prática consistente de meditação. No mundo de hoje, muitos de nós enfrentamos ansiedade, stress e outros estados mentais e emocionais negativos, enquanto lutamos para equilibrar as expectativas de compromissos e obrigações profissionais, familiares e sociais. Mingyur Rinpoche enfatizou como a meditação pode nos ajudar a enfrentar esses demónios internos.

“Está tudo na mente, não é? Tudo é criado lá e termina aí. Quando você olha para as ondas no oceano, depende de você – se você pode ver monstros ou qualquer outra forma”, disse Rinpoche em entrevista ao The Times of India . “Stress e ansiedade são criados na mente. Eu sei que não é fácil calar a ansiedade e as emoções. Levei cinco anos para adquirir o controlo através da meditação. No cerne da meditação Tergar está a alegria de viver – viver com consciência. É livre e puro. Parece o espaço. A emoção é como uma nuvem. Então, meditar ajuda você a se conectar com o espaço e limpar a nuvem.”

Hoje existem evidências científicas para apoiar essa afirmação. “Toda a gente tem uma linha de base da felicidade. É difícil mudar isso. Mas os neurocientistas descobriram que, com a meditação, a linha de base pode mudar ”, disse Rinpoche para o The Times of India. “Dinheiro, fama e poder não mudam a linha de base da felicidade. Você pode ganhar a lotaria e se sentir feliz por dois anos, mas a alegria vai diminuindo. Você volta a se sentir normal. Os cientistas também refutaram que, se você nascer infeliz, permanecerá assim pelo resto da vida. Eles descobriram que a meditação pode mudar isso.”

Que mudanças ocorrem no cérebro derivado à prática da meditação?

Sara Lazar, neurocientista da Universidade de Harvard, relatou ao The Washington Post dois estudos seus baseados em neuroimagens.

No primeiro estudo analisou meditadores de longo prazo versus um grupo de controle. Sara disse que: “Descobrimos que os meditadores de longo prazo têm uma quantidade maior de substância cinzenta nas regiões ínsula e sensorial, no córtex auditivo e sensorial. O que faz sentido. Quando você está atento, está prestando atenção à sua respiração, aos sons, à experiência do momento presente, e desliga a cognição, é lógico que os sentidos sejam aprimorados.”

Também foi descoberto que eles “tinham mais massa cinzenta no córtex frontal, o que está associado à memória de trabalho e à tomada de decisões executivas.” Afirmou Sara Lazar.

E continuou dizendo que: “Está bem documentado que o nosso córtex diminui à medida que envelhecemos – é mais difícil descobrir e lembrar as coisas. Mas nessa região do córtex pré-frontal, os meditadores de 50 anos tinham a mesma quantidade de massa cinzenta que os de 25 anos.”

No segundo estudo, Sara disse que: “Encontrámos diferenças no volume cerebral após oito semanas em cinco regiões diferentes nos cérebros dos dois grupos [meditadores e não-meditadores]. No grupo que aprendeu meditação, encontramos um espessamento em quatro regiões:

  1. A principal diferença, encontramos no cingulado posterior, que está envolvido em divagações e auto-relevância.
  2. No hipocampo esquerdo, que auxilia na aprendizagem, cognição, memória e regulação emocional.
  3. Na junção temporoparietal, ou TPJ, que está associada à tomada de perspectiva, empatia e compaixão.
  4. Numa área do tronco cerebral chamada Pons, onde são produzidos muitos neurotransmissores reguladores.

A Amígdala cerebelosa, a parte do cérebro envolvida na reação de luta ou fuga, importante para a ansiedade, o medo e o stress em geral, ficou menor no grupo que passou pelo programa de redução de stress baseado na atenção plena. A mudança na amígdala também foi correlacionada a uma redução nos níveis de stress.” Relatou Sara Lazar para o The Washington Post.

Análise ao cérebro de Yongey Mingyur Rinpoche

4 pesquisadores através da Eletroencefalografia, analisaram o cérebro do Yongey Mingyur Rinpoche.

Segundo o Lions Roar, assim que Mingyur começou a meditação, houve uma súbita e enorme explosão de atividade elétrica nos monitores dos computadores. Todos assumiram que isso significava que ele se movia. Movimentos dos sensores são um problema comum em pesquisas com EEG. Qualquer movimento que puxe o sensor – uma mudança de perna, uma inclinação da cabeça – é amplificado nessas leituras num enorme pico que parece uma onda cerebral, mas precisa ser filtrado para uma análise limpa.

Mas Mingyur não se tinha movido nem um pouco. E estranhamente, essa explosão durou todo o período da meditação da compaixão. Os 4 pesquisadores assistiram paralisados.

Num novo período de meditação, a mesma explosão dramática de sinais elétricos ocorreu. Novamente Mingyur estava perfeitamente imóvel. Como esse padrão se repetia cada vez que ele era instruído a gerar compaixão, a equipa se entreolhou num silêncio atónito, quase pulando dos seus assentos em emoção. A equipa do laboratório sabia que naquele momento estava testemunhando algo profundo, algo nunca antes observado em laboratório.

Esses estudos criaram uma agitação científica. O artigo que relatou a experiência foi citado milhares de vezes na literatura científica mundial.

Ainda segundo o Lions Roar, o próximo choque ocorreu quando Mingyur passou por outra bateria de testes através de ressonância magnética, sendo que o EEG não revela o que está acontecendo mais profundamente no cérebro. Dizem os pesquisadores que a intensidade com que diversos estados foram ativados no cérebro de Mingyur, excede o que viram em estudos de pessoas “normais”.

Mas Mingyur não estava sozinho, ao longo dos anos vários iogues budistas passaram a ser formalmente testados, sendo os resultados surpreendentes.

Conselhos para os iniciantes em meditação

Yongey Mingyur Rinpoche, na entrevista ao The Times of India, ofereceu alguns conselhos para aqueles que são novos na meditação e para aqueles que têm dificuldade em encontrar uma meia hora para acalmar a mente e meditar.

É preciso aceitar que não dá para acalmar a mente imediatamente. O melhor é começar com 5 minutos todos os dias durante 30 dias e ir progredindo. Lentamente, se começará a ganhar mais controlo sobre a mente.

Referências: International Buddhist Confederation, Buddhist Times News,
The Times of India, Washington Post, Lions Roar.

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