Um funeral budista geralmente é simples, compassivo e focado em gerar mérito e paz para o falecido e para os vivos. Há variações entre as tradições (Theravada, Mahayana e Vajrayana), assim como entre os países onde o budismo predomina. Seguem-se alguns elementos típicos:
- Velório: ambiente sereno com uma imagem do Buda, flores, velas e incenso. Recitações de suttas ou mantras. Países onde o Theravada predomina as pessoas costuma vestir cores brancas, noutros podem vestir cores sóbrias.
- Recitações:
- Theravada: Refúgios e Preceitos, suttas como Karaniya Metta Sutta (Sn 1.8, amor-bondade), versos sobre a impermanência (Anicca vata sankhara), e faz-se puñña-pattidāna (dedicação de mérito) para beneficiar o renascimento do falecido.
- Mahayana: sutras como Sutra do Coração, Recitação Amitabha (Namo Amituofo/Namo Amida Butsu) visando renascimento na Terra Pura.
- Vajrayana: práticas de phowa (transferência de consciência) e recitação do Bardo Thödol (texto tibetano lido para orientar a mente do falecido), além de mantras como o Om Mani Padme Hum (compaixão).
- Contemplação e silêncio: momentos de meditação, lembrança do bem que a pessoa fez.
- Dana (generosidade): oferendas de alimento, vestes e apoio à comunidade monástica em nome do falecido; várias formas de caridade em benefício do falecido.
- Elogios e consolo: discursos curtos que ressaltam o Dhamma: tudo o que surge cessa (Dhp 277), por isso praticamos o bem (Dhp 183). Pode haver partilha de histórias edificantes da vida da pessoa.
- Corpo e cremação/sepultamento: ambos são aceites, mas a cremação costuma ser mais comum; alguns lugares fazem cortejo simples ao crematório com recitações contínuas; as cinzas podem ser depositadas num cemitério, ficarem na casa de um familiar, ou espalhadas pela natureza.
- Ritos posteriores: em algumas culturas, recitações no 7º, 49º dia, ou em aniversários, reforçando a prática e a memória virtuosa. No Theravada, oferendas de comida ao Sangha nos dias seguintes.
No Tibete, e em outros países próximos, há um funeral chamado de “Enterro ou Funeral Celeste”, que consiste em deixar o corpo num local em que possa ser comido por abutres ou outros animais. É uma forma de mesmo depois da morte beneficiar outros seres, uma forma de doação. Além do mais, nesses países em que o ambiente é mais árido e não existiam tantos recursos como madeira para cremação, essa seria uma forma eficaz e sustentável de funeral. No entanto, o “Enterro Celeste” não é o único tipo de funeral que se faz nesses países.
Houve uma palestra em que o Ajahn Mudito afirmou que um funeral, pelo menos na sua perspetiva, mais do que para os mortos é para os vivos, e que quando a pessoa morre deixa de ter opinião, no sentido que não importa se a pessoa queira ser enterrada, cremada, etc. Podemos tentar satisfazer o seu desejo, mas nesse momento é o que for mais adequado para a família, não importa a opinião do moribundo. A conduta que o falecido teve em vida é o que vai ser o principal fator que influenciará o seu destino, isso é muito mais significativo que qualquer ritual, por isso é importante treinar a mente em vida, e na hora da morte, deixar a família lidar com o corpo da forma que acharem melhor.
Imagem de destaque: Cemitério Okunoin em Kyoasan, Japão, 28 de maio de 2019 | Crédito: Wikimedia (Adam Jones [Adam63]) – CC BY-SA 2.0
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