Sua Santidade o 14º Dalai Lama foi galardoado com o prémio Grammy na 68ª edição da cerimónia. O líder espiritual tibetano venceu na categoria de “Melhor Audiolivro, Narração e Gravação de Storytelling”, pela sua atuação na obra “Meditações: As Reflexões de Sua Santidade o Dalai Lama“.
O audiolivro, produzido por Kabir Sehgal, também ele já galardoado com vários prémios Grammy, apresenta gravações do Dalai Lama partilhando as suas visões sobre a paz, a compaixão, a atenção plena, o bem-estar interior e a responsabilidade universal, intercaladas com uma banda sonora original composta pelo músico clássico indiano Amjad Ali Khan e pelos seus filhos, Amaan Ali Bangash e Ayaan Ali Bangash.
A obra explora uma variedade de temas. Numa faixa intitulada “Água”, o Dalai Lama reflete sobre as mudanças ambientais a que tem assistido. Já “Paz” foca-se na compaixão, que Sua Santidade descreve como essencial para o crescimento espiritual e para a sobrevivência humana.
Este reconhecimento pela indústria musical internacional destaca a relevância contínua da mensagem de Sua Santidade, transcendendo fronteiras religiosas para tocar uma audiência global através do poder da palavra falada. O prémio celebra não apenas a qualidade da gravação, mas a urgência e a necessidade dos ensinamentos sobre a paz interior e a harmonia global no mundo contemporâneo.
Um legado reforçado por tributos musicais
Esta distinção ocorre após o marco histórico do seu 90º aniversário, celebrado a 6 de julho do ano passado. A ocasião foi marcada por diversas homenagens globais, destacando-se uma colaboração musical particularmente comovente que uniu a tradição tibetana à música clássica contemporânea.
Como oferenda para essa data histórica, Tenzin Choegyal, um dos mais proeminentes músicos tibetanos do mundo, colaborou com o lendário compositor Philip Glass para criar a “Snowy Mountains-GangRi”. A peça é uma adaptação musical de uma das mais conhecidas preces de longa vida para o Dalai Lama.
A ligação de Philip Glass ao budismo
A participação de Philip Glass neste tributo reveste-se de especial importância. Para além de ser um compositor de renome mundial, Glass é descrito por Choegyal como um “amigo incrível do Tibete” e um “praticante budista incrível”. Choegyal chega mesmo a afirmar que o compositor é inclusive um melhor praticante do que ele próprio.
Inocência e devoção
A canção “Snowy Mountains-GangRi” distingue-se pela sua pureza e simplicidade. A gravação conta com a participação de cem crianças da Aldeia de Crianças Tibetanas (Tibetan Children’s Village) em Dharamsala, onde o próprio Tenzin cresceu.
Segundo Choegyal, as crianças são os verdadeiros “heróis” da peça. A intenção foi capturar a inocência das suas vozes, sem auto-tune (software para medir e corrigir artificialmente a entonação vocal), para manter a pureza da devoção. Esta escolha artística reflete um ensinamento profundo: a natureza de ser criança, livre das “armaduras” e do ego que os adultos constroem, permite uma devoção mais pura e calorosa.
A obra serve não apenas como uma prece para estender a força vital do Dalai Lama, mas também como um meio de apresentar a cultura tibetana e o instrumento tradicional dranyen ao mundo da música clássica e aos ouvintes ocidentais.
Fontes: Buddhistdoor, Tricycle.
Veja também:
- Boas vibrações: uma playlist de música budista (ou inspirada no budismo)
- Inner World, o primeiro álbum musical do Dalai Lama
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