Mahayana Sutras e Textos Canónicos

Avatamsaka Sutra: A Interpenetração Cósmica e o Caminho do Bodhisattva no Budismo Mahayana

O Avatamsaka Sutra, cujo nome completo em sânscrito é Buddhāvataṃsaka-nāma-mahāvaipulya-sūtra, traduzido frequentemente como Sutra da Guirlanda de Flores ou Sutra do Ornamento de Flores, é uma das escrituras mais influentes e extensas do Budismo Mahayana. O termo sânscrito avatamsaka pode ser interpretado de várias maneiras, significando uma guirlanda, coroa ou ornamento circular, simbolizando a magnificência das virtudes acumuladas pelo Buda no momento da sua iluminação. O termo também pode denotar “uma grande quantidade” ou “coleção”, o que reflete a natureza vasta e abrangente do sutra.

Considerado por alguns como a mais sublime revelação dos ensinamentos do Buda, o Avatamsaka Sutra desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento do pensamento Mahayana. Serviu como a base doutrinária para a formação da influente escola Huayan do budismo chinês, que por sua vez influenciou outras importantes escolas, como o Chan/Zen.

O Avatamsaka Sutra apresenta um cosmos de Budas incomensuráveis e infinitos reinos que se contêm mutuamente. O tema central que percorre todo o texto é a interpenetração e a interconexão total de todos os fenómenos, um conceito complexo e profundo ilustrado de forma vívida através da famosa metáfora da Rede de Indra. O sutra também explora o conceito de Natureza Búdica, enfatiza a natureza da iluminação do Buda Vairocana e, descreve detalhadamente os dez estágios de realização do Bodhisattva, conhecidos como os dez bhūmis. Um ensinamento importante do Avatamsaka é que a iluminação não é algo a ser alcançado num futuro distante, mas sim uma realidade inerente, presente aqui e agora, constituindo a nossa verdadeira natureza. Esta visão de infinitos reinos e a ideia de que cada fenómeno contém e reflete todos os outros sugerem uma perspetiva holográfica do universo dentro do sutra, onde o microcosmo espelha o macrocosmo.

O Avatamsaka Sutra é frequentemente designado como o “cânone do bodhisattva” (bodhisattva-piṭaka), inferindo assim a sua centralidade como guia para aqueles que trilham o caminho altruísta do Bodhisattva.

A complexa história textual do Avatamsaka Sutra é evidenciada pelas suas diversas traduções e versões. Embora o texto integral não tenha sobrevivido na sua língua original, o sânscrito, secções importantes foram preservadas. As traduções chinesas são de particular importância histórica e a tradução presente no cânone tibetano tem a particularidade de possuir notáveis diferenças em relação à chinesa. Essas diferenças evidenciam que existiu um processo continuo de adições e edições ao longo do tempo, com os temas centrais a serem expandidos e aprofundados.

O tradutor Thomas Cleary o chamou de “a mais grandiosa, a mais abrangente e a mais bela das escrituras budistas.”

Origem e história

As origens exatas do Avatamsaka Sutra permanecem desconhecidas. A visão predominante entre os estudiosos sobre este texto massivo, cuja tradução para inglês ultrapassa as 1600 páginas, é que seja o resultado da compilação de vários sutras menores que originalmente circulavam de forma independente e que foram posteriormente reunidos para formar a obra que conhecemos hoje. Acredita-se que a sua composição ocorreu em diversas fases, com as primeiras partes a serem escritas pelo menos 500 anos após a morte do Buda. A teoria da compilação a partir de textos menores sugere um desenvolvimento gradual ao longo do tempo, possivelmente refletindo a evolução da compreensão e da articulação dos princípios Mahayana dentro das primeiras comunidades budistas. Quanto ao local exato, alguns apontam para a Ásia Central, possivelmente no final do século III ou no século IV d.C., enquanto outros sugerem a Índia.

Uma narrativa tradicional atribui a Nāgārjuna a recuperação de uma porção do Avatamsaka Sutra do Palácio dos Nāgas (serpentes ou dragões míticos, guardiões de tesouros do Dharma). Segundo esta lenda, o sutra, na sua totalidade, era de uma vastidão incomensurável, e a porção trazida ao mundo humano, embora imensa, seria apenas uma pequena fração.

A transmissão do Avatamsaka Sutra para a China foi um processo gradual. Traduções fragmentárias de partes do texto podem ter começado já no século II d.C. O Sutra dos Dez Estágios (Dasabhumika Sutra), que descreve os dez níveis do caminho do Bodhisattva e que muitas vezes é considerado uma escritura independente, foi traduzido para chinês pela primeira vez no século III. A primeira tradução completa para chinês foi realizada por Buddhabhadra por volta de 420 d.C., resultando numa versão com 60 rolos e 34 capítulos. No entanto, foi a segunda tradução completa, feita por Śikṣānanda, um monge de Khotan, com a assistência de Bodhiruci, por volta de 699 d.C., que se tornou mais influente. Esta versão continha 80 rolos e 40 capítulos, sendo mais extensa que a tradução anterior. Existe também uma tradução da seção Gaṇḍavyūha (Entrada no Reino da Realidade) feita por Prajñā por volta de 798 d.C. A existência de múltiplas traduções chinesas iniciais, que diferem em extensão e divisão de capítulos, indica a crescente importância do texto e os esforços contínuos para o tornar acessível a um público mais vasto. As diferenças entre as traduções podem também refletir diferentes recensões ou interpretações do original em sânscrito.

Este sutra foi a base para a criação da escola Huayan do budismo chinês (séculos VI a IX). O profundo impacto desta escola fez com que a sua influência se expandisse posteriormente para a Coreia e para o Japão. Também o Budismo Vajrayana/tibetano recebeu influência deste belo sutra.

Estrutura do Texto

A versão mais influente do Avatamsaka Sutra, a tradução de Śikṣānanda em 80 fascículos, é tradicionalmente organizada em 39 capítulos ou livros. Estes capítulos não são apresentados como um discurso contínuo, mas desdobram-se ao longo de nove assembleias distintas (nove encontros ou ocasiões de ensino), que se realizam em sete locais diferentes, tanto terrestres como celestiais. Esta estrutura peculiar não é um mero artifício literário; simboliza a omnipresença do Buda e a sua capacidade de ensinar simultaneamente em múltiplos reinos da existência. Reforça o tema da interpenetração e da natureza não-localizada da iluminação, mostrando que o Dharma se manifesta de acordo com as capacidades e necessidades dos seres em diferentes planos de realidade.

Dentro desta vasta coleção, algumas secções destacam-se pela sua importância e influência, tendo inclusivamente circulado como sutras independentes:

  • Daśabhūmika Sutra: Corresponde ao Capítulo 26 na versão de 80 fascículos. Este texto descreve em pormenor os dez estágios (bhūmis) do desenvolvimento espiritual de um Bodhisattva no seu caminho para a Budeidade. A sua profundidade e clareza fizeram dele um texto de referência para o estudo do caminho Mahayana.
  • Gaṇḍavyūha Sutra: Constitui o Capítulo 39, o último e mais extenso da versão de 80 fascículos. Narra a inspiradora peregrinação do jovem Sudhana em busca da iluminação. Aconselhado pelo Bodhisattva Mañjuśrī, Sudhana visita 53 mestres espirituais, cada um revelando um aspeto do caminho do Bodhisattva. Entre a diversidade impressionante de mestres Sudhana encontra: Bodhisattvas celestiais, deuses, monges, monjas, reis, mercadores, eremitas, crianças e até uma cortesã iluminada chamada Vasumitrā. Esta variedade de instrutores demonstra que a sabedoria não está confinada a figuras religiosas convencionais, mas pode ser encontrada em todas as esferas da vida e em todos os tipos de seres. A jornada épica de Sudhana é uma metáfora do próprio caminho espiritual. Além do mais, o texto é preenchido com descrições visionárias das assembleias de Budas e Bodhisattvas, dos seus poderes miraculosos e dos seus reinos resplandecentes, que servem para inspirar e expandir a mente do leitor. O Gaṇḍavyūha Sutra foi ainda uma inspiração para o que é indiscutivelmente o maior monumento budista já construído, o Borobudur, na Indonésia, erguido no Século IX.

Outros capítulos notáveis, incluem “As Maravilhosas Adornações dos Governantes dos Mundos” (Cap. 1), que estabelece o cenário cósmico; “O Mar do Tesouro de Flores dos Mundos” (Kusumatalagarbha-vyūhālamkāra-lokadhātusamudra, Cap. 5), que detalha a cosmologia interpenetrante; “Vairocana” (Cap. 6), focado no Buda central; “Conduta Pura” (Cap. 11); “As Dez Práticas” (Cap. 21); “As Dez Dedicações” (Cap. 25); e os ensinamentos sobre a “Conduta e Votos do Bodhisattva Samantabhadra” (Samantabhadracaryāpraṇidhāna), frequentemente associados à conclusão do Gaṇḍavyūha ou circulando como um texto complementar de imensa importância devocional e prática.

O Bodhisattva Samantabhadra desempenha um papel de primordial importância em todo o Avatamsaka Sutra. Associado à prática, à meditação e aos votos, Samantabhadra, cujo nome significa “Virtude Universal” ou “Bondade Abrangente”, personifica a aplicação ativa da sabedoria e da compaixão no mundo. Ele é o mestre final de Sudhana, confirmando o seu despertar e instruindo-o sobre a importância da conduta benéfica. Samantabhadra é conhecido pelos seus Dez Grandes Votos (daśa-praṇidhānāni), que constituem um modelo para a prática de todos os Bodhisattvas. Em muitas representações artísticas e descrições textuais, Samantabhadra forma, juntamente com o Buda Vairocana (o Buda central do Avatamsaka) e o Bodhisattva Mañjuśrī (personificação da sabedoria), a Trindade Huayan.

O Avatamsaka Sutra é conhecido pelas suas visões suntuosas e pela apresentação sistemática dos estágios de desenvolvimento e das atividades práticas dos bodhisattvas. Inclui ensinamentos profundos sobre a natureza do mundo tal como é visto pelos Budas, onde a realidade não é percebida como consistindo em objetos discretos com uma natureza intrínseca separada. Esta descrição do mundo como percebido pelos Budas contrasta fortemente com a perceção comum dos seres não iluminados, enfatizando o potencial transformador da iluminação tal como é descrito no sutra.

Conceitos

O Avatamsaka Sutra é um tesouro de conceitos filosóficos profundos. No seu cerne, encontra-se a visão de um cosmos holístico, onde todos os fenómenos estão intrinsecamente ligados.

Interpenetração

O conceito mais distintivo e central do Avatamsaka Sutra é o da interpenetração universal. Este ensinamento postula que todos os fenómenos (dharmas) são fundamentalmente vazios de existência inerente (śūnya) e, precisamente por causa dessa vacuidade, interpenetram-se mutuamente de forma infinita e sem obstrução. Isto implica que a totalidade do universo está contida em cada partícula individual, e cada partícula individual contém a totalidade do universo.

A Rede de Indra

Para ilustrar esta complexa doutrina da interpenetração, o Avatamsaka Sutra emprega a célebre metáfora da Rede de Indra. Imagine-se uma vasta rede que se estende infinitamente em todas as direções. Em cada nó desta rede, encontra-se uma joia perfeitamente polida. Cada joia individual reflete não apenas a luz, mas também a imagem de todas as outras inúmeras joias na rede. Cada uma dessas imagens refletidas contém, por sua vez, os reflexos de todas as outras joias, num processo de reflexos mútuos que se repete ad infinitum.

Esta metáfora simboliza de forma eloquente como cada entidade, evento ou momento particular no cosmos reflete e expressa a totalidade do universo, e é, por sua vez, refletido e expresso por ele. A Rede de Indra transcende uma mera descrição cosmológica, pois encerra profundas implicações éticas. Se cada “joia” (cada indivíduo, cada fenómeno) reflete e é refletida por todas as outras, então a condição de cada uma afeta a totalidade da rede. A “pureza” ou “mancha” de uma única joia influencia o brilho de toda a rede. Isto fundamenta uma ética da interdependência, onde as ações de um indivíduo ressoam universalmente, tornando a prática individual e a conduta ética não apenas um assunto pessoal, mas algo com significado cósmico e responsabilidade partilhada.

Não-obstrução entre Fenómenos

Um corolário direto da interpenetração é o princípio da não-obstrução mútua entre os fenómenos. Embora tudo esteja interligado e se contenha mutuamente, os fenómenos individuais mantêm a sua distinção e identidade única; não se fundem caoticamente nem se anulam uns aos outros. As coisas são distintas, mas não separadas. O Avatamsaka Sutra afirma: “Assim o infinito entra no um, contudo cada unidade é distinta sem sobreposição”. Esta coexistência harmoniosa do uno e do múltiplo, da totalidade e da particularidade, é o que permite a dinâmica e a riqueza do Dharmadhātu.

O Buda Vairocana

No centro da vasta cosmologia do Avatamsaka Sutra encontra-se o Buda Vairocana, cujo nome significa “Aquele que Ilumina” ou “O Radiante”. Vairocana não é simplesmente um Buda entre outros, mas o Buda cósmico supremo, a personificação do Dharmakāya – o Corpo da Verdade, a realidade última e imanente. O seu corpo é o próprio universo; ele contém todos os mundos e sistemas de mundos dentro da sua forma cósmica omni-abrangente. Todo o universo é concebido como o campo de Buda purificado pelas práticas incomensuráveis de Vairocana ao longo de éons. A sabedoria do Buda (o Tathāgata) está, assim, presente em toda a parte, imanente em cada ser vivo. O Buda histórico, Shakyamuni, é por vezes interpretado neste sutra como uma manifestação ou emanação de Vairocana, ensinando o Dharma de acordo com as capacidades dos seres.

Esta conceção de Vairocana como o Dharmakāya, cujo corpo é o próprio universo, tem implicações profundas, pois dissolve a dicotomia comum entre o sagrado e o profano, ou entre o nirvāna (a libertação) e o saṃsāra (o ciclo de existência condicionada). Se o universo é a manifestação do Buda, então a iluminação não é a realização da sua verdadeira natureza búdica. O mundo fenomenal, com todas as suas aparências, não é algo a ser rejeitado, mas a própria expressão da realidade iluminada. Isto sugere que o caminho para o despertar se encontra na própria vida quotidiana e na relação compassiva com o mundo.

Dharmadhātu

O termo Dharmadhātu refere-se ao “reino” ou “esfera” (dhātu) do Dharma, ou seja, da Realidade Última. No contexto Mahayana, e particularmente no Avatamsaka Sutra, o Dharmadhātu designa a totalidade de todos os fenómenos, o universo inteiro, visível e invisível, compreendido como o reino da verdade eterna. É um conceito sinónimo de tathātā (a “talidade” ou realidade tal como é), śūnyatā (vacuidade) e pratītyasamutpāda (originação interdependente). Representa a mente purificada no seu estado natural, livre de obscurecimentos – a natureza essencial da mente. Quando a Natureza de Buda inerente é plenamente realizada, o Dharmadhātu é idêntico ao Dharmakāya, o corpo da verdade do Buda. No Avatamsaka Sutra, o Dharmadhātu é o cosmos tal como é percebido por um Buda, um mundo de interpenetração luminosa e espiritual, frequentemente designado como o “Mundo do Tesouro de Lótus” (Padmagarbha-lokadhātu). O comentador leigo Li Tongxuan referiu-se a ele como o “Um-verdadeiro Dharmadhātu“, a sabedoria fundamental não-dual que constitui a base de toda a existência.

A escola Huayan, baseada neste sutra, sistematizou Quatro Dharmadhātus, que representam quatro perspetivas ou níveis de compreensão da realidade:

  1. O reino dos fenómenos particulares, discretos e aparentemente separados. Esta é a visão convencional ou mundana da realidade, onde as coisas são percebidas como entidades distintas.
  2. O reino do princípio universal, o absoluto ou númeno. Este princípio subjacente a todos os fenómenos é identificado com conceitos como śūnyatā (vacuidade), “Uma Mente” ou a Natureza de Buda.
  3. O reino da não-obstrução (ou interpenetração) entre o princípio e os fenómenos. Nesta perspetiva, o absoluto e o relativo, o universal e o particular, não são vistos como opostos ou separados, mas como mutuamente inclusivos e interdependentes. O princípio permeia todos os fenómenos, e cada fenómeno manifesta o princípio.
  4. O reino da não-obstrução (ou interpenetração) entre todos os fenómenos particulares. Este é o nível mais profundo de realização na filosofia Huayan. Significa que cada fenómeno individual interpenetra e contém todos os outros fenómenos, sem perder a sua identidade distinta. É a expressão máxima da interconexão radical, resumida em aforismos como “um é tudo, e tudo é um”.

Esta progressão dos Quatro Dharmadhātus não representa apenas uma classificação filosófica, mas também um caminho pedagógico e contemplativo. Inicia-se com a visão comum e fragmentada da realidade, avança para a compreensão do princípio unificador subjacente, integra estes dois aspetos na não-obstrução entre princípio e fenómeno, e culmina na visão holística da interpenetração total de todos os particulares. Este percurso sugere uma transformação gradual da perceção, conduzindo o praticante da dualidade para uma experiência radical de não-dualidade, um mapa para o desenvolvimento da visão penetrante (vipaśyanā).

Os Dez Estágios do Bodhisattva

O Avatamsaka Sutra, particularmente através do Dasabhumika Sutra, apresenta uma descrição detalhada dos dez estágios (bhūmis) do desenvolvimento de um bodhisattva no seu caminho para alcançar a budeidade. O sutra discute em detalhe os dez bodhisattva vyavasthanas, descrevendo os dez níveis mais elevados da prática do bodhisattva. Esta exposição detalhada dos dez bhūmis apresenta um caminho claro e estruturado para o desenvolvimento espiritual dentro da estrutura Mahayana, delineando os estágios progressivos de realização e prática que um bodhisattva empreende.

O sutra enfatiza a importância tanto da compaixão (karuna) como da sabedoria (prajna) no desenvolvimento das qualidades de um bodhisattva. O processo gradual de desenvolvimento espiritual envolve a purificação de obscurecimentos, a acumulação de mérito e sabedoria, e a progressiva manifestação das qualidades búdicas em cada nível. A ênfase na compaixão e na sabedoria como partes integrantes do caminho do bodhisattva sublinha o ideal Mahayana de que a iluminação é inseparável da aspiração de libertar todos os seres.

Cada um dos dez estágios possui características e realizações específicas. O Dasabhumika Sutra detalha as práticas e as virtudes cultivadas em cada estágio. Por exemplo, o primeiro estágio, conhecido como “Alegria” ou “O Muito Feliz” (Pramuditā-bhūmi), é marcado pelo despertar da mente da bodhicitta (a aspiração à iluminação para o benefício de todos os seres) e pela prática da generosidade. Cada estágio subsequente envolve a purificação de impurezas específicos e o cultivo de virtudes transcendentais (paramitas) cada vez mais profundas, culminando no décimo estágio, “Nuvem de Dharma” (Dharmameghā-bhūmi), onde o bodhisattva está prestes a alcançar a budeidade plena.

Os Dez Bhūmis são os seguintes: 1) O Muito Feliz (Pramuditā); 2) O Imaculado (Vimalā); 3) O Luminoso (Prabhākarī); 4) O Radiante (Arciṣmatī); 5) O Difícil de Cultivar (Sudurjayā); 6) O Manifesto (Abhimukhī); 7) O Que Foi Longe (Dūraṅgamā); 8) O Imóvel (Acalā); 9) A Boa Inteligência (Sādhumatī); 10) A Nuvem do Dharma (Dharmameghā). A Budeidade completa é por vezes referida como o décimo primeiro bhūmi.

Metáforas e Símbolos

O Avatamsaka Sutra utiliza uma rica gama de metáforas e símbolos para transmitir os seus profundos ensinamentos. A Rede de Indra, já discutida, é talvez a mais famosa dessas metáforas.

O Palácio de Vairocana é outra imagem que aparece repetidamente no sutra. Este palácio é descrito como vasto, magnífico e adornado com inúmeras joias mani, permeando as dez direções. A luz jorra dos seus adornos como nuvens, formando estandartes de reflexos sobrepostos. A opulência e a vastidão do Palácio de Vairocana simbolizam a grandeza e a imensidão do reino iluminado e as infinitas qualidades da budeidade.

A flor de lótus, um símbolo comum no budismo, também desempenha um papel significativo no Avatamsaka Sutra. Redes de flores de lótus adornam os assentos de leão dos bodhisattvas. A flor de lótus, que emerge imaculada das águas lamacentas, representa a pureza, o despertar e o potencial para a iluminação inerente a todos os seres. A sua utilização como adorno para os assentos dos bodhisattvas sugere a pureza das suas intenções e o florescimento das suas qualidades iluminadas.

Por fim, o conceito de “mundos dentro de mundos” permeia o Avatamsaka Sutra. O sutra descreve um cosmos de infinitos reinos que se contêm mutuamente. Em cada ponta de um único cabelo, podem residir inúmeras terras búdicas contendo uma vasta gama de budas, bodhisattvas e ensinamentos libertadores. A narrativa de Sudhana, no Gaṇḍavyūha, leva-o a entrar na vasta torre de Maitreya, um lugar de espaço sem fim que contém outras torres de espaço sem fim. Esta ideia de infinitude e de interconexão em múltiplas escalas enfatiza a natureza ilimitada e interdependente do cosmos tal como é percebido pelos seres iluminados, transcendendo as limitações comuns de espaço e tempo.

Referências: Avatamsaka-sutra (Britannica); The Avatamsaka Sutra (City of 10,000 Buddhas); The Flower Adornment Sutra, a commentary by Hsuan Hua (City of 10,000 Buddhas); Huayan Buddhism (Kegon Buddhism) (EBSCO Research Starters); Contemporary meaning of the avatamsaka philosophy – Kōsei Morimoto(FIU Asian Studies Program); The Flower Ornament Scripture A Translation Of The Avatamsaka Sutra By Thomas Cleary(Internet Archive); The Avatamsaka Sutra: The Flower Garland Scripture (Learn Religions); The Phenomenal Universe of the Flower Ornament Sutra (Lion’s Roar); Flower Ornament (Avatamsaka) Sutra (mnzencenter.org); The Avatamsaka Sutra (Pure Land Buddhism); Ten bhumis (Rigpa Wiki); Ten Bhūmis (Samye Pathways); Huayan Buddhism (Stanford Encyclopedia of Philosophy); Avatamsaka Sutra (Tibetan Buddhist Encyclopedia); Avatamsaka Sutra: Volume 14: Purifying Practice by Thomas Cleary (Tibetan Buddhist Encyclopedia); The Philosophical concept of Avatamsaka Sūtra (Tibetan Buddhist Encyclopedia); The Flower Ornament Scripture (Tricycle); Selections from the Avataðsaka Sütra – The Flower Garland Sutra (University of Hawaii System); Interbeing: Precepts and Practices of an Applied Ecology by Joan Halifax and Marty Peale (Upaya Zen Center); An Exploration of the Early One-True Dharmadhatu Thoughts – From Mind Only Chittamatra, Tantra to Huayen Theory Xiangjun Su – Xiangjun Su (Web of Proceedings); Buddhāvataṃsaka Sūtra (Wikipedia); Dharmadhatu (Wikipedia); Gandavyuha (Wikipedia); Huayan (Wikipedia); Indra’s net (Wikipedia); Li Tongxuan (Wikipedia); Samantabhadra (Bodhisattva) (Wikipedia); Ten Stages Sutra (Wikipedia); Vairocana (Wikipedia); Avatamsaka: Significance and symbolism (Wisdom Library); Avatamsaka Sutra: Significance and symbolism (Wisdom Library); Avatamsaka Sutra (Wisdom Library); Presentation of the Substance of the Doctrine (Wisdom Library); Ten stages, Ten Bhumis (Wisdom Library); Avatamsaka Sutra – Each One of Us Has Unique Bodhisattva Gifts to Offer (Zen Studies Podcast).

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Ep. 458 Ensinamento Zen – Consciência, Memória, Tempo e Morte. Podcast Gotas do Dharma.

Genshô Sensei, no episódio deste podcast fala sobre a consciência, o tempo, a vacuidade, a Rede Indra e o Dharmakaya, conectando com o que a ciência nos diz sobre vácuo quântico e a força Casimir, que possui impressionantes semelhanças com esses conceitos budistas.

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