A Universidade de Coimbra (UC) lançou o projeto de investigação “MindfulBrain+”, um estudo inovador que visa compreender os efeitos da prática regular de mindfulness no cérebro, funcionamento cognitivo, saúde mental e bem-estar.
Liderado por Ana Ganho Ávila, docente da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC) e investigadora do CINEICC, o projeto procura clarificar questões ainda em aberto sobre esta prática. Segundo a investigadora, embora estudos prévios indiquem que o mindfulness influencia redes cerebrais ligadas à atenção, autorregulação e processamento emocional, ainda não é claro os motivos pelos quais os benefícios variam entre as pessoas, bem como sobre as alterações simultâneas que ocorrem no cérebro e no corpo.
O “MindfulBrain+” destaca-se pela integração de várias abordagens para estudar a relação entre mindfulness, corpo e cognição:
- Tecnologia de Neuroimagem: Utilização de espetroscopia funcional de infravermelho próximo (fNIRS) para avaliar a atividade cerebral através da oxigenação sanguínea.
- Indicadores Fisiológicos: Monitorização da atividade cardíaca e resposta autonómica.
- Estimulação Cerebral: Análise dos efeitos da combinação entre mindfulness e estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), uma técnica não invasiva que permite modular a excitabilidade neuronal em áreas cerebrais específicas.
A investigação parte de resultados obtidos num estudo anterior, publicado em 2025, que envolveu 107 adultos sem experiência prévia em mindfulness. Esse trabalho demonstrou que uma única sessão de mindfulness em realidade virtual não produziu melhorias significativas no desempenho cognitivo. No entanto, após apenas uma sessão de prática, os investigadores observaram diferenças na ativação autonómica dos participantes, sugerindo uma menor ativação fisiológica, o que é compatível com uma resposta de stress menos intensa. Estes resultados reforçaram a necessidade de aprofundar a investigação sobre os mecanismos biológicos envolvidos nos efeitos do mindfulness.
Os investigadores acreditam que o conhecimento produzido poderá contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais personalizadas destinadas a promover processos cognitivos envolvidos na regulação emocional. A longo prazo, os resultados obtidos poderão também ajudar na compreensão de mecanismos associados a sintomas comuns em perturbações como a ansiedade e a depressão, abrindo caminho para futuras abordagens de intervenção mais adaptadas às características de cada pessoa.
O projeto, financiado pela Fundação BIAL, conta com uma rede de parceiros de excelência, incluindo o Laboratório de Estimulação Cerebral Não Invasiva da Universidade de Göttingen (Alemanha), o Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a REACH – Clínica de Saúde Mental (Porto).
Atualmente está a decorrer a fase de recrutamento de voluntários com experiência consistente na prática de mindfulness (pelo menos dois anos, com prática mínima de duas horas semanais distribuídas por três ou mais dias nos últimos três meses). Podem participar adultos entre os 18 e os 65 anos, fluentes em português, sendo que a recolha de dados ocorre em Coimbra, Lisboa e Porto. A participação envolve o preenchimento de questionários, a realização de uma meditação guiada com cerca de vinte minutos e diversas tarefas destinadas a avaliar funções cognitivas ao longo de três sessões, realizadas em meses consecutivos.
Referências: Projeto de investigação da UC está a estudar os efeitos do mindfulness no cérebro (Notícias UC); Docente da FPCEUC em destaque nos media com estudo inovador sobre os efeitos do mindfulness no cérebro (FPCEUC); Como reage o cérebro ao mindfulness? Investigação portuguesa procura respostas (Sapo); Universidade de Coimbra está a estudar os efeitos do ‘mindfulness’ no cérebro (Sapo).
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