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Presidiário budista encontra a liberdade dentro da prisão

Como ser livre mesmo sendo um prisioneiro no “corredor da morte”? Encontrar a paz nessas condições não deve ser uma tarefa nada fácil. No livro “Finding Freedom“, Jarvis Jay Masters conta como encontrou a liberdade sendo um prisioneiro condenado à morte. A mestra budista Pema Chödrön escreveu o prefácio e conta que é um dos seus livros favoritos.

Jarvis Jay Masters está preso deste os 19 anos na penitenciária San Quentin, na Califórnia, nos Estados Unidos da América. Ele está condenado à morte, mas afirma ser inocente e ter recebido uma sentença por um crime que não cometeu. Apesar da sua situação, ele se considera uma pessoa livre.

Ter entrado em contacto com o budismo foi fundamenta para ele se sentir assim, apesar dos quase 40 anos a viver dentro de uma prisão. Jarvis afirma que “a liberdade está onde você está”.

Jarvis Jay Masters conheceu o budismo dentro da prisão através de livros e revistas. Depois passou a se comunicar por carta com alguns mestres budistas, assim como a receber visitar de mestres que passaram a acompanhar a sua caminhada espiritual.

Os ensinamentos budistas ajudaram-lhe a se sentir em paz, mesmo numa ambiente onde a violência domina e é incentivada.

“Durante muito tempo fui um desconhecido para mim mesmo e o budismo me ajudou no processo de aceitação.”

– Jarvis Jay Masters

Jay Maters é um homem negro que nasceu numa família pobre e teve uma infância cercada de negligência e violência. O seu pai abandonou a família e a sua mãe teve problemas com drogas. Ele mantem conflitos sentimentais com a sua mãe, até que após conhecer o budismo conseguiu admitir o seu amor por ela.

Aos 12 anos foi parar a uma instituição para menores infratores, tendo continuado ao longo da sua Juventude a entrar e a sair desse tipo de instituições, até ficar de forma permanente na penitenciária atual.

Quando chegou à penitenciária San Quentin, em 1981, se envolveu com algumas gangues dentro da instituição. Em 1985 um guarda prisional foi assassinado por alguns presos. Ele diz ser inocente, mas foi condenado à morte por ter sido ele que afiou a faca que matou o guarda da prisão. Ele cumpre a pena no mesmo local onde a vítima trabalhava, o que complica ainda mais a sua vida na prisão.

Ele diz que quer com o livro “mostrar aos jovens que existe uma escolha, que é possível buscar outros caminhos”. Diz que acredita que uma dia ainda estará fora desse lugar, mas “a liberdade tem a ver com a nossa mente e não com o lugar onde estamos.” Segundo ele, muitas pessoas podem viver fora de uma penitenciaria, com uma linda casa, um bom carro, e mesmo assim se sentirem presas por causa das angustias que sentem.

“Minha cela é muito pequena, realmente muito pequena. É possível abrir os braços e encostar cada uma das mãos na parede ao mesmo tempo. Estudar o budismo me ajudou a ampliar o espaço.”

– Jarvis Jay Masters

Ele conta que o contacto com o budismo lhe ajudou a lidar com a violência na prisão, com a depressão, com a angustia, e outros sofrimentos por estar no corredor da morte; e que também conseguiu ajudar outros presos, principalmente os jovens. Ele já evitou um suicídio e impediu que um homem gay fosse assassinado por outros presos.

Ainda não existe uma data para que a sua sentença seja concretizada. Há uma apelação em curso com uma campanha chamada Free Jarvis para que ele seja solto.

Sobre as desigualdades sociais, injustiças raciais, a vida terrível nas prisões e condenações injustas, recomendo a mini-série When They See Us. Não é sobre a história de Jarvis Jay Masters, mas aborda uma história real, em que 5 adolescentes são presos e falsamente acusados por um crime brutal no Central Park.

Referências: Folha de S. Paulo, Free Jarvis.
A Imagem de destaque é meramente ilustrativa, não tem relação com a prisão referida neste artigo.

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