Havia um velho fazendeiro que tinha um único cavalo para o ajudar na sua fazenda. Um dia, o cavalo fugiu. Os vizinhos vieram e disseram: “Que terrível azar!”
O fazendeiro simplesmente respondeu: “Talvez.”
Alguns dias depois, o cavalo retornou trazendo consigo vários cavalos selvagens. Os vizinhos vieram celebrar: “Que sorte maravilhosa!”
O fazendeiro apenas disse: “Talvez.”
No dia seguinte, o filho do fazendeiro tentou domar um dos cavalos selvagens, caiu e partiu a perna. Os vizinhos vieram e lamentaram: “Que terrível infortúnio!”
O fazendeiro respondeu: “Talvez.”
Uma semana depois, oficiais militares vieram à aldeia recrutando jovens para a guerra. Devido à perna partida, o filho do fazendeiro não foi levado. Os vizinhos comemoraram: “Que benção!”
O fazendeiro apenas disse: “Talvez.”
Esta parábola ensina vários princípios budistas importantes:
- A natureza impermanente (anicca) dos eventos
- A importância da equanimidade (upekkhā) diante das circunstâncias
- Como as nossas avaliações imediatas de “bom” e “ruim” são frequentemente limitadas
É uma história que demonstra como devemos evitar julgamentos precipitados e manter uma mente equilibrada diante das vicissitudes da vida, talvez… não seja nada de mais!
Kōmyō Sensei, no podcast Gotas do Dharma, diz que o que o conto ensina não é passar a vida a dizer “talvez”, mas aprender a enxergar a vida, mesmo nos momentos muito difíceis, como uma lição a ser aprendida, uma experiência a ser amadurecida, verdades, descobertas, mudanças a serem percebidas e realizadas. O conto procura mostrar que a vida não nos apresenta sentenças definitivas. Se nos prendermos inclusive nas coisas alegres, vamos nos decepcionar, porque vai mudar, vai passar ou se transformar. Isso não significa que nós não temos o direito de nos alegrar, nós devemo-nos alegrar, mas devemos aprender que a vida não está ali para atender as nossas expectativas. Abaixo pode escutar o episódio na integra:
✨ Ajude a manter este projeto
Manter o Olhar Budista implica custos e exige tempo e dedicação. Para que este espaço possa continuar disponível, atualizado e acessível a todos, o seu apoio é essencial. Se considera que este conteúdo é útil para si e para outros, e se partilha da visão de tornar os ensinamentos do budismo mais acessíveis, considere apoiar este projeto com um donativo. O seu contributo ajuda diretamente a manter e a desenvolver este trabalho.
Dana é uma palavra Páli que significa generosidade, é uma das 10 qualidades nobres referidas no budismo. Ao longo dos tempos os ensinamentos do Buda foram preservados e transmitidos devido à Dana, à generosidade das pessoas. É através do apoio, do suporte, do patrocínio, da patronagem, das doações, que as atividades ligadas ao Dharma (ensinamentos de Buda) podem continuar e prosperar. A sua doação será muito apreciada.
Discover more from Olhar Budista
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

