Em março de 2025, num contexto político e social marcado pela vulnerabilidade das instituições democráticas nos Estados Unidos, surgiu uma nova voz coletiva: a Buddhist Coalition for Democracy (BCD). Esta organização sem fins lucrativos e não denominacional foi criada para servir de veículo para que budistas de todas as tradições possam apoiar e defender normas, instituições e processos democráticos.
Uma resposta à crise democrática
A BCD nasceu da convicção de que os valores democráticos enfrentam um momento de perigo existencial. A coligação reúne budistas de diversas linhagens, incluindo Theravada, Zen, Vajrayana, Terra Pura, e Budismo Secular, bem como de diferentes espetros políticos, unidos pelo objetivo comum de assegurar a sobrevivência da democracia.
Para os membros da BCD, a governação democrática é o método mais eficaz para garantir a dignidade e os direitos fundamentais de todas as pessoas, permitindo que os membros da sociedade levem vidas significativas e que as diferenças de opinião sejam resolvidas por meios pacíficos. A organização compromete-se a defender estes ideais através de métodos consistentes com os princípios budistas de sabedoria, compaixão, discurso correto e não-violência.
O “Apelo à Ação” (Call to Action)
A coligação adotou formalmente um “Apelo à Ação”, documento que serve como uma declaração de princípios e um roteiro para a resistência cívica. O preâmbulo destaca a responsabilidade dos budistas de “testemunhar, responder e resistir à destruição sistemática das normas e instituições que permitem que as sociedades livres floresçam”.
O documento enumera uma série de preocupações graves que motivaram a criação do grupo, incluindo:
- A politização do sistema de justiça e o desafio a ordens judiciais;
- Tentativas de silenciar a imprensa livre e restringir a liberdade académica;
- A eliminação de proteções ambientais e de saúde pública;
- A perseguição de grupos vulneráveis e a desumanização de imigrantes.
Com base nestas observações, a BCD estabeleceu resoluções claras, que incluem o compromisso de “apoiar compassivamente as vítimas de discriminação”, “educar sobre os perigos da autocracia” e “resistir e recusar a colaboração com políticas e práticas prejudiciais”.
Estratégias e Atividades
A Buddhist Coalition for Democracy não é apenas um grupo de reflexão, mas uma entidade orientada para a ação. As suas atividades planeadas abrangem um vasto leque de intervenções cívicas e políticas, tais como:
- Educação e Consciencialização: Esforços para informar o público sobre a importância dos princípios democráticos.
- Advocacia: Campanhas de envio de cartas e lobbying junto de eleitos e líderes comunitários.
- Colaboração: Parcerias com organizações cívicas, religiosas e legais que partilhem da mesma visão.
- Ação Legal: Participação em amicus briefs (pareceres jurídicos) para proteger o habeas corpus e o devido processo legal.
- Mobilização Não-Violenta: Organização de manifestações, vigílias e ralis.
- Resistência Passiva: A coligação prevê a possibilidade de não-cumprimento e resistência passiva perante exigências governamentais que considerem ilegais, imorais ou inconstitucionais.
A organização é gerida por um Comité de Coordenação que reflete a diversidade das suas origens.
Embora o foco da BCD seja a democracia nos EUA, a adesão gratuita está aberta a budistas de todo o mundo. A organização já recebeu pedidos para a criação de filiais noutros países, mas, por enquanto, ainda está a definir o processo de formalização para essas entidades internacionais.
Num momento em que muitos sentem que os alicerces da liberdade estão a tremer, a Buddhist Coalition for Democracy apresenta-se como um exemplo de como a espiritualidade pode convergir com o ativismo cívico, procurando proteger o bem comum através da ação compassiva e decidida.
Saiba mais sobre a organização em: buddhistcoalitionfordemocracy.org
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