Pimpim de Azevedo, embora desconhecida pela maioria, tem uma história extraordinária.
Ainda durante a adolescência, nasceu nela a curiosidade pelo Tibete e pela figura do Dalai Lama. É muito provável que obras como A Terceira Visão, de Lobsang Rampa, tenham povoado o seu imaginário com visões de Lhasa, dos seus palácios imponentes, dos invernos duros e da serenidade dos monges. Embora certamente tivesse consciência da opressão chinesa na região, estava longe de imaginar que o seu próprio destino passaria por fazer daquelas montanhas a sua vida.
Há 30 anos que reside nas montanhas dos Himalaias, sendo uma espécie de nómada. Após concluir o mestrado em Ciências do Património, na University College em Londres, parrtiu para o Tibete e lá permaneceu.
O seu caminho cruzou-se com o de André Alexander, um jovem alemão, descrito como um idealista genial e destemido. Juntos, fundaram o Tibet Heritage Fund em Lhasa. A integração deles foi total, aprenderam as línguas tibetana e chinesa e viveram como locais. Pimpim dedicou-se à recuperação de edifícios históricos, mosteiros e pinturas, absorvendo saberes ancestrais junto de velhos mestres nos templos. O seu impacto foi profundo: formou dezenas de artesãos, criou postos de trabalho e luta diariamente pela dignidade das mulheres oprimidas de Lhasa.
A morte súbita de Alexander em 2012, com apenas 47 anos, não a fez vacilar. Pimpim continuou, convicta de que não havia retorno. Após mais de três décadas nas montanhas, com visitas raríssimas a Portugal e a uma família que a adora, especialmente a irmã, Maria José, ela é um motivo de orgulho nacional, ainda que desconhecida para a maioria dos portugueses. Detentora de prémios internacionais e distinções da UNESCO e das Nações Unidas, o reconhecimento público é-lhe indiferente. Pimpim de Azevedo vive com quase nada.
A história de Azevedo foi contada com um pouco mais de detalhe por Luís Osório no Postal do Dia.
Fonte: Antena 1.
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