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Mente, inteligência artificial e ética: Dalai Lama coorganizou o 39º encontro da Mind & Life

Na sua residência oficial, em Dharamsala, S. S. o Dalai Lama recebeu no mês passado uma delegação de mais de 120 notáveis académicos, cientistas, eruditos budistas, líderes empresariais e decisores políticos, para o 39.º diálogo anual com o instituto Mind & Life. O encontro foi coorganizado pela referida instituição e pela organização Dalai Lama Trust.

A delegação procurou examinar o potencial da inteligência artificial para aliviar o sofrimento, promover a equidade e apoiar o florescimento humano e planetário. Também foram considerados os riscos potenciais colocados à saúde, educação, trabalho, política e clima.

“O diálogo deste ano focou-se em ‘Mente, Inteligência Artificial e Ética’, pois a forma como os humanos coexistirão com a IA será uma questão definidora do nosso tempo,” disse o presidente do conselho de administração da Mind & Life, Thupten Jinpa, enfatizando ainda a necessidade de uma abordagem diversificada que integre o mais profundo conhecimento humano.

Ao longo de três dias de conversa, os oradores exploraram a natureza da mente humana, tomando-a como base para a consideração de cinco tópicos chave e um conjunto de questões sobre a Inteligência Artificial (IA):

  • Mentes: O que é a inteligência? O que distingue as mentes vivas das mentes artificiais?
  • (Des)enredamento e Relações Significativas: Como estão as mentes humanas intimamente enredadas com as mentes artificiais? Que considerações éticas surgem do profundo enredamento de humanos e máquinas? Quais são os benefícios potenciais?
  • Narrativas Coletivas e Futuros Possíveis: Como é que as histórias que contamos sobre a IA criam profecias autorrealizáveis? Quais são os riscos no que diz respeito à sobrevivência humana e à possível substituição da racionalidade e consciência humanas?
  • Diversidade e Ética: Como é que uma compreensão mais complexa da inteligência pode impactar os sistemas de IA que desenvolvemos e as regulamentações que implementamos? É possível incorporar valores éticos na IA?
  • Educação: Quais são os riscos potenciais da IA para os jovens?
  • Como é que a IA está a moldar as mentes mais jovens em termos de atenção, concentração, enviesamentos cognitivos e regulação emocional?

Os participantes enfatizaram que o futuro da IA não está predeterminado, mas é profundamente moldado pelas narrativas que construímos sobre ela e sobre nós próprios. O diálogo marcou não um ponto final, mas sim um começo, um convite para continuarmos a moldar o nosso futuro partilhado com consciência e cuidado.

S. S o Dalai Lama afirmou que: “Se pudermos manter este tipo de diálogo de vez em quando, será realmente maravilhoso. Também do ponto de vista budista, participar nestes diálogos, em vez de realizar rituais e coisas do género, é muito útil. Se as condições permanecerem estáveis, [o projeto] Mind & Life poderá continuar no futuro. Da minha parte, estudei a tradição filosófica e pratiquei o debate quando estive em Lhasa, adotando tanto o ponto de vista do desafiador quanto o do respondedor. […] Os cientistas podem tirar proveito da lógica e da epistemologia, do pensamento crítico, presentes nas nossas tradições budistas. Eles podem se beneficiar delas. […] Sou um líder religioso que veste os hábitos de monge, mas quando dou uma palestra, frequentemente invoco a ciência. Isso deve-se ao facto de o pensamento crítico que praticamos ser comparável à investigação científica. […] No momento em que nascemos da nossa mãe, há experiência. Temos sentimentos enraizados na consciência. Portanto, compreender como a mente funciona é importante, porque a vida é sustentada pela mente.”

Geshe Jinpa referiu que o 14º Dalai Lama tem dois objetivos principais ao interagir com cientistas. O primeiro é “expandir os horizontes da própria investigação científica, para ir além do paradigma material. Ele quer trazer para o centro das atenções o lado mental da história, incluindo a experiência contemplativa vivida.” O segundo é “explorar como a ciência pode servir a humanidade. Ele acredita que a motivação impulsionada pela compaixão é essencial para alcançar isto.” Jingpa menciona também que a ciência desenvolveu alta tecnologia para realizar imagística cerebral, o que permitiu o reconhecimento da neuroplasticidade, e que, o instituto Mind & Life tem desempenhado um enorme papel na abertura de investigações para lá de uma compreensão redutora da experiência e da consciência humana.

O instituto Mind & Life nasceu da visão de S. S. o Dalai Lama ligar as tradições de sabedoria do Oriente às descobertas científicas do Ocidente. O primeiro encontro em 1987, lançou as bases para uma plataforma global. O Instituto reúne académicos e cientistas (incluindo budistas) de diversas áreas de especialização, como a neurociência, a física, a cosmologia, a biologia, e a sabedoria contemplativa. O trabalho do Instituto inspirou monges e monjas a integrarem o estudo da ciência nos seus currículos tradicionais.

Fontes: Buddhistdoor, Mind & Life.

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