Artes Zen/Chan

Ikebana: a arte contemplativa de arranjos florais

A arte japonesa Ikebana significa “arranjar flores” ou “preservar flores vivas”, e também é conhecida como Kadô, que significa “o caminho das flores”.

Origens

Na Índia, país onde surgiu o budismo, altares budistas eram adornados com flores, sendo o lótus uma flor amplamente utilizada. Com a introdução do budismo na China esta tradição ganha outras peculiaridades e surgem os primeiros sacerdotes budistas que também se tornam instrutores de arranjos florais.

O budismo, vindo da China e da Coreia, começa a aparecer no japão por volta do período Asuka (552–645), mas é durante o período Heian (794-950) que a arte dos arranjos florais começa a ser introduzida por monges budistas com a finalidade de servirem de oferendas para altares budistas. É nesse período que a apreciação de flores, sem qualquer finalidade religiosa, também se torna popular. Ao longo dos séculos a arte de arranjos florais vai sendo refinada e ganhando características próprias. Essa evolução culminou em diferentes escolas e estilos, dos quais os mais populares são o Ikenobo, Sogetsu e Ohara. O arranjo florar começou a ser usado também para adornar o tokonoma (sala de receção) das casas tradicionais japonesas, tornando-se assim independente do seu propósito original.

Ikenobo que é considerada a primeira escola de ikebana, foi estabelecida em 1462 pelo monge budista Senno do templo Rokkaku-do, em Quioto. O manuscrito de ikebana mais antigo, “Kao irai no Kadensho” data de 1486. ​O famoso manuscrito “Senno Kuden”, do fundador da Escola Ikenobo, foi escrito em 1542.

No século 16, sob a influência de mestres budistas do chá, esta arte atinge o seu apogeu e torna-se uma das três artes clássicas japonesas de grande refinamento, juntamento com o kodô (apreciação do incenso) e o chadô (cerimónia do chá).

Características

Ikebana expressa a beleza através de detalhes sutis, com componentes reduzidos às suas formas mais básicas. Esta arte distingue-se de outras formas de arranjo floral pelo posicionamento dos materiais vegetais em relação ao recipiente e ao espaço circundante. Na arte Ikebana é enfatizado a harmonia entre os diferentes elementos, tais como plantas e flores sazonais, caules, galhos secos, pedras e até musgo, meticulosamente dispostos num recipiente de cerâmica, vidro, madeira, bambu ou metal.

O enfoque de um arranjo ikebana é tipicamente na linha escultural criada pelo galho mais alto e no espaço ao seu redor. A estrutura é baseada em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, embora outras estruturas sejam adaptadas em função do estilo e da escola. A maioria dos arranjos tem apenas algumas flores. A composição geral é minimalista e assimétrica, mas harmoniosa e equilibrada. A criação de uma obra de ikebana envolve identificar as linhas mais poderosas e atraentes do design e, em seguida, manipular os componentes para enfatizar os ângulos mais fortes, dobrando suavemente as hastes e aparando as folhas. Simplicidade e linhas graciosas são as chaves mais importantes para conseguir uma boa obra.

Através da aprendizagem de um complexo sistema de regras, princípios artísticos e significados simbólicos, e observando a beleza e a quietude da natureza, o praticante de ikebana se esforça para incorporar conceitos budistas de paz, harmonia e reverência pela vida diária. Para obter as habilidades necessárias para um arranjo “perfeito” são necessários anos de prática.

Uma arte contemplativa

Ikebana é uma arte contemplativa. A busca do espiritual através da arte do arranjo floral é o principio mais elevado do kadô, o caminho das flores. Na elaboração de um arranjo o artista tenta expressar os seus próprios sentimentos, bem como as suas impressões da natureza. Isso inclui por exemplo indicações da passagem do tempo, como um galho desgastado. O artista não apresenta as flores apenas como elas existem na natureza, ele tenta também organizá-las de uma forma que lhes dê um novo significado e expressão.

Esta arte meditativa é mais do que simplesmente colocar flores num recipiente. Ikebana é a celebração da beleza e do mistério da natureza; é uma forma de arte disciplinada em que o arranjo se torna numa coisa viva, onde a natureza e a humanidade são unificados.

Nos dias de hoje

No Japão as obras de ikebana podem ser encontradas decorando ambientes formais como salões de banquetes, pousadas tradicionais, salas de reuniões corporativas, bem como espaços públicos como lojas e escritórios.

Atualmente existem mais de 3.000 escolas de ikebana no Japão, cada uma com os seus próprios estilos distintos, mas todas elas podem traçar sua história até à Ikenobo. Além do Japão as escolas de Ikebana agora podem ser encontradas em todo o mundo, levando a beleza da forma e da cor a milhões de pessoas.

Referências: Wikipedia, Nippon, TheZenUniverse.

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