Certa vez Buddha caminhava calmamente por uma densa floresta quando resolveu se sentar embaixo de uma linda árvore frutífera. Próximo à floresta, um dos primos de Buddha, Devadatta, sentindo a presença do mestre, decidiu ir observá-lo. Devadatta era um homem perverso, invejoso e ciumento, que passava boa parte do tempo falando mal de Buddha. A raiva e a inveja de Devadatta eram tamanhas que até matar o primo passava pelo seu pensamento.
Quando Devadatta viu Buddha sentado e meditando embaixo da árvore frutífera, foi tomado de um ódio mortal. Esperou o primo se levantar e o seguiu. Quando o mestre passou bem acima de onde estava seu primo, este empurrou uma enorme pedra.
Ao olhar para baixo Devadatta viu que a pedra tinha caído ao lado de Buddha, que continuava com um ar sereno no rosto. Por dois segundos, os primos cruzaram o olhar, e Devadatta, envergonhado e raivoso, saiu correndo e desapareceu.
Algumas semanas depois, Devadatta cruzou com seu primo Buddha.
“Bom dia, Devadatta.” – disse Buddha, com um sorriso no rosto.
“Mestre, não está bravo comigo?” – balbuciou Devadatta.
“Não, por que deveria estar?” – perguntou Buddha, com uma serenidade indescritível.
Devadatta estava confuso, e por pouco segundos encarou o olhar amável de seu primo iluminado e disse: “mestre, não se recorda da pedra e do penhasco?”
Buddha deu três passos em direção ao primo, tomou-lhe a mão e respondeu: “Hoje você não é mais aquele que atirou a pedra em mim nem eu sou mais aquele que sentiu a pedra cair ao seu lado.”
Fonte: Histórias para a Sabedoria – Uma Ontologia de Koans, Contos, Lendas e Parábolas Orientais.
Compilação e Edição de: Shén Lóng Fēng.
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