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Fundador do Centro Zen de Moscovo condenado a prisão por publicação contra a invasão da Ucrânia

Um tribunal de Moscovo condenou o líder budista russo Ilya Vasilyev a seis anos de prisão por causa de uma publicação numa rede social na qual expressava a oposição à invasão da Ucrânia por parte da Rússia. O tribunal também proibiu Vasilyev de administrar sites por 3 anos e 6 meses.

O fundador do Centro Zen de Moscovo (da tradição Soto Shu) e programador de computadores, de 52 anos, foi condenado num novo julgamento em 28 de abril deste ano, com base na lei russa contra a disseminação de “informações sabidamente falsas” sobre as Forças Armadas Russas.

Num julgamento anterior, em 25 de junho de 2025, Ilya Vasilyev já tinha sido condenado a 8 anos de prisão, o que representa a pena mais longa já aplicada a um cidadão russo por se opor publicamente à guerra por motivos religiosos.

Ilya Vasilyev está detido deste junho de 2024 devido a um publicação no Facebook em 5 de dezembro de 2022 sobre um ataque de mísseis russos a Kherson, na Ucrânia. A publicação incluía uma pintura da artista ucraniana Iriney Yurchuk, retratando um presépio em meio às ruínas de um prédio bombardeado.

“Quando fiz o voto budista, jurei dizer a verdade. E quando as pessoas aqui começam a dizer em meu nome que o que eu digo é mentira, isso é, obviamente, um grande desafio para mim”, disse Vasilyev durante o julgamento.

“A voz da compaixão tem o direito de ser ouvida na nossa sociedade? Ou qualquer apelo para o fim da violência será equiparado à voz de um inimigo?”, indagou a defensora pública Anna Tugolukova.

O caso surge em meio a uma crescente pressão sobre figuras religiosas e ativistas na Rússia que expressam oposição à guerra na Ucrânia por motivos religiosos.

Ilya Vasilyev foi o segundo líder budista de renome a manifestar-se contra a guerra, depois que o lama mais importante da Calmúquia, Telo Tulku Rinpoche, ter se pronunciou contra o conflito e, posteriormente deixado a Rússia.

Recorde-se que o budismo tem raízes históricas profundas em algumas repúblicas de Rússia, como a Buriátia, Calmúquia e Tuva. O caso de Vasilyev, no entanto, destaca a posição precária das vozes budistas e de outras religiões que enquadram a oposição à violência como uma questão de consciência e disciplina espiritual.

Fontes: Buddhistdoor 1, 2.
Imagem de destaque meramente ilustrativa.

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