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Líder budista da República Russa da Calmúquia condena a guerra

O Lama supremo da República da Calmúquia, Telo Tulku Rinpoche (Erdne Ombadykow), criticou a guerra que a Rússia desencadeou na Ucrânia, observando que a verdade está do lado Ucraniano. Ele expressou o seu apoio à Ucrânia numa entrevista dada no passado fim de semana para o canal YouTube АЛХИМИЯ ДУШИl*. Telo Rinpoche é primeiro o grande líder religioso da Federação Russa a condenar a agressão militar.

“Acho que [a guerra] está errada; ninguém precisa dessa guerra. Estamos todos vivendo no século 21, todos nós queremos viver em paz, cada país quer se desenvolver. Acho que o lado ucraniano, é claro, está certo – está defendendo o seu país, a sua terra, a sua verdade, a sua constituição, o seu povo. É muito difícil dizer e aceitar que a Rússia está certa. É muito difícil dizer isso, e é isso que eu não posso [dizer]”, afirmou Telo Tulku Rinpoche.

Telo Rinpoche acredita que os líderes das comunidades budistas em toda a Federação Russa que apoiam a agressão militar, dificilmente pensam assim se são realmente verdadeiros budistas. Anteriormente, representantes de todas as religiões tradicionais da Federação Russa apoiaram a incursão na Ucrânia e pediram apoio em oração para aqueles que lutam contra as Forças Armadas da Ucrânia.

Em meados de junho, Telo Rinpoche se manifestou contra a guerra no geral durante uma palestra que marcou o aniversário do Buda, mas evitou referências específicas à Ucrânia. O Lama enfatizou que evitou falar anteriormente sobre a Ucrânia porque “não queria prejudicar os laços entre as autoridades e os budistas”. Ele fez os comentários a partir da Mongólia, onde está ajudando os Calmucos que fugiram da Rússia depois que Moscovo lançou a sua invasão no final de fevereiro. Mesmo antes do recente anúncio de que centenas de milhares de russos seriam recrutados para lutar, havia ondas de pessoas fugindo do país.

Na Rússia os meios de comunicação são altamente controlados pelo estado e atualmente é proibido qualquer posicionamento contra a guerra, quem o faz arrisca pesadas penas. Muitos artistas, jornalistas e outros que questionaram abertamente o regime de Putin saíram o mais rápido possível em fevereiro e março numa “primeira onda”. “Muitas pessoas receberam notificações dizendo que eram traidores”, disse Jeanne Batalova, analista de políticas sénior do Migration Policy Institute. Uma segunda onda se seguiu nos meses seguintes e, mais recentemente, uma terceira onda de russos fugiu do país. Os números totais têm sido difíceis de determinar, mas pelo menos 194.000 cidadãos russos teriam fugido para os países vizinhos, como a Finlândia, Geórgia e Cazaquistão, apenas na primeira semana após o anúncio da mobilização parcial em setembro. De acordo com relatos dos média, cerca de 12.000 russos entraram na Mongólia desde o início da guerra. O anúncio do presidente Vladimir Putin em 21 de setembro levou a um aumento do número de russos que entram na Mongólia, a maioria deles vindos das repúblicas amplamente budistas da Calmúquia, Buriácia e Tuva.

Nas suas declarações, Telo Rinpoche também destacou algumas palavras de S. S. o Dalai Lama proferidas no inicio da guerra: “Fiquei profundamente triste com o conflito na Ucrânia. O nosso mundo tornou-se tão interdependente que um conflito violento entre dois países inevitavelmente afeta o resto do mundo. A guerra está ultrapassada – a não-violência é o único caminho. Precisamos desenvolver um senso de unidade da humanidade ao considerar os outros seres humanos como irmãos e irmãs. É assim que construiremos um mundo mais pacífico. Problemas e desacordos são melhor resolvidos através do diálogo. A paz genuína surge através da compreensão mútua e do respeito pelo bem-estar de cada um. Não devemos perder a esperança. O século 20 foi um século de guerra e derramamento de sangue. O século 21 deve ser um século de diálogo. Rezo para que a paz seja rapidamente restaurada na Ucrânia.”

A invasão à Ucrânia levada a cabo por Vladimir Putin foi condenada pela generalidade da comunidade internacional. A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 5.996 civis mortos e 8.848 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Referências: Buddhistdoor, Kyivpost.

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