Alimentação Comunidade

Os Tibetanos: um lugar de paz e boa comida em Lisboa

Com mais de 50 anos, Os Tibetanos foi o primeiro restaurante vegetariano em Lisboa. No piso superior funciona um templo budista e ao longo da sua existência já recebeu vários prémios.

As refeições vegetarianas são baseadas na cozinha tibetana, mas incorporando várias influências de outros países, tais como sabores da Índia, Japão, Brasil e África. A chefe de cozinha Phuntsok Dolma, combina perfeitamente o sabor oriental com o gosto ocidental.

O restaurante abriu as portas em 1978, mas a sua história começou antes. Um centro tibetano de orientação budista foi instalado no edifício antes do restaurante. O projeto foi concretizado por um português com o apoio de mestres tibetanos. As práticas incluíam yoga e meditação. Nos primórdios, algumas pessoas moravam no centro e cozinhavam apenas para os alunos. Cada um ajudava nas tarefas essenciais para a sustentabilidade da comunidade.

E foi assim que, de servir comida para alunos, passou a servir comida vegetariana de porta aberta em 1978. O restaurante localizava-se no último piso e chamava-se na época “O Terraço do Finisterra”. O terraço tinha uma bonita vista para o Jardim Botânico, o Castelo de São Jorge, e também para o rio. Era um local em que as pessoas adoravam ficar para ver o nascer da lua.

Ao longo do tempo o projeto foi crescendo e sendo otimizado e, no final dos anos 80 passou a chamar-se “Os Tibetanos”. O restaurante faz parte de uma escola budista e fica situado perto da Avenida da Liberdade.

Os proprietários atuais, Phuntsok Dolma e Dawa Tashi, são ambos tibetanos, mas nasceram na Índia, onde se casaram. Phuntsok foi a primeira a chegar a Portugal após ter sido convidada a trabalhar como cozinheira em 2000. Um ano depois chegou o Tashi. Ambos trabalharam até se tornarem sócios e assumirem a gerência em 2020.

Em 2001, na primeira vez em que o Dalai Lama veio a Portugal, Phuntsok serviu-lhe as refeições. Em março de 1993, José Saramago escreveu no livro de honra que o restaurante “é um lugar de paz e boa comida”.

O restaurante surgiu numa época em que o país não estava habituado a este tipo de comida, com uma proposta de levar a alimentação vegetariana a todos, mas principalmente a quem não é vegetariano. “Muitas vezes, os não vegetarianos, acham que esta alimentação não tem sabor, e nós queremos mostrar que não é assim”, disse Manuela d’Almeida, uma antiga proprietária que esteve no restaurante desde o seu inicio. “O objetivo era levar às pessoas um conceito diferente, uma forma diferente de olhar para a vida, com comida mais saudável, yoga e meditação. Havia uma dinâmica nova, as pessoas vinham ver como era e gostavam, ficavam e voltavam. O que se oferecia fazia sentido, a comida e os produtos eram bons. Não é um restaurante em que se entra só para comer”. As pessoas adoravam o espaço, à hora do jantar as filas eram imensas. “Tanta gente, tanta gente, que era uma loucura!”, referiu Manuela d’Almeida.

Na arquitetura do espaço a cor vermelha é predominante, juntamente com amarelos, verdes e azuis, que ligam-se a elementos naturais como a Água, Terra e Fogo. Thangkas (pintura em rolo) com imagens de Budas e Bodisatvas, candeeiros de papel reciclado, instrumentos musicais utilizados em oração, entre outros objetos, dão um toque especial ao ambiente.

Os Tibetanos têm atualmente uma aplicação própria, disponível para iPhone e brevemente para Android, através da qual os clientes podem acompanhar o restaurante, consultar informações e utilizar funcionalidades como reservas e o programa de fidelidade.

Por volta de 2005, Os Tibetanos estiveram também presentes na cidade de Loulé, ligados ao templo do Malhão. E, Passados mais de 50 anos, Os Tibetanos continuam a ser um dos restaurantes mais marcantes da bela cidade de Lisboa.

Referências: História (Os Tibetanos); Restaurante Os Tibetanos (Junta de Freguesia de Santo António); Um restaurante vegetariano para pessoas que comem carne (Expresso); 1978: O primeiro templo vegetariano abre portas a Lisboa (Expresso) Imagens: cortesia restaurante “Os Tibetanos”.

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