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“Espelho Mágico” do século XVI revela uma imagem oculta do Buda Amitabha

Um raro espelho de bronze centenário e quase esquecido por mais de 50 anos na Coleção de Arte do Leste Asiático pertencente ao Museu de Arte de Cincinnati, revelou um segredo oculto: sob certas condições de iluminação, o espelho do século XVI ou XVII de aparência simples, reflete uma imagem do Buda Amitabha cercado por raios de luz.

Esse tipo de obras de arte foram criadas pela primeira vez na China durante a dinastia Han (202 aC – 220 dC), são conhecidas como espelhos mágicos, transparentes ou penetrantes de luz. Quando uma luz é projetada sobre eles, os espelhos parecem transparentes e revelam personagens ou um desenho decorativo.

No meio de milhares de tesouros da coleção de arte do leste asiático do museu, o pequeno espelho de bronze sempre pareceu bastante comum. Ele foi exibido pela primeira vez em 2017 e passou grande parte das décadas anteriores armazenado numa prateleira dos fundos ao lado de outros objetos excluídos de exibição pública. Durante anos acreditou-se que o espelho mágico era simplesmente um disco de bronze despretensioso.

A curadora de arte da coleção do leste asiático do museu, Dra. Hou-mei Sung, enquanto pesquisava os chamados “espelhos mágicos” na primavera passada, acompanhada por um especialista em conservação, viu algo parecido com os exemplares do Japão do período Edo. O item armazenado em Cincinnati, Ohio, era menor do que os mantidos em museus de Tóquio, Shangai e Nova York. Também apresentava um estilo mais complexo de escrita chinesa. A Dra. Sung pediu ao seu colega que apontasse uma luz forte para o espelho. Então ele usou a lanterna do telemóvel e… funcionou! A Dra. Sung conta que estavam muito empolgados, na parede diante deles a luz refletida mostrou uma imagem ainda pouco nítida mas que justificava uma investigação mais aprofundada. Após experiências usando outras luzes mais fortes, o espelho acabou revelando a projeção de uma imagem do Buda Amitabha emanando raios de luz.

À primeira vista, a frente do espelho de bronze de 21 centímetros parece ser apenas uma superfície refletora polida normal, enquanto que a parte de trás está marcada com seis caracteres: 南無阿彌陀佛, representando a exortação, “Louvor ao Buda Amitabha”.

“Não há nada na superfície, é apenas uma superfície refletora polida com um pouco de corrosão. Não dá nenhuma pista”, disse a Dra. Sung. A descoberta torna o Museu de Cincinnati numa das poucas instituições no mundo a possuir um espelho mágico. Segundo o Museu de Arte de Cincinnati, “espelhos mágicos antigos são extremamente difíceis de fazer e são muito raros. Além dos espelhos mágicos da dinastia Han no Museu de Shangai, apenas dois outros espelhos mágicos budistas semelhantes são conhecidos: um no Museu Nacional de Tóquio e outro no Metropolitan Museum of Art [em Nova York]. Ambos são espelhos japoneses feitos no período Edo (1603-1867). A pesquisa inicial do espelho de Cincinnati sugere que foi provavelmente fabricado na China e que é de um tempo anterior aos outros dois exemplares.” A Dra. Sung afirmou que “todos os outros exemplos têm cerca de 24 centímetros, então o nosso é um pouco menor, mas a imagem de Buda que ele projeta eu acho que é realmente mais detalhada e mais refinada.”

Para criar o efeito aparentemente místico, os cientistas acreditam que os artesãos fundiam placas de bronze com imagens, palavras ou padrões de um lado, e arranhavam e raspavam a superfície lisa do outro lado, antes de a polirem para que se tornasse reflexiva como um espelho convencional. Como a placa era de espessura variável devido ao design em relevo, o processo criava mudanças muito pequenas na curvatura no lado espelhado aparentemente em branco. Uma substância à base de mercúrio era então usada para criar tensões adicionais na superfície, traçando assim o desenho em relevo na parte de trás, mas invisível a olho nu.

Os espelhos confundiram os cientistas ocidentais que os encontraram no século XIX. E embora a sua ótica seja agora amplamente compreendida, Sung refere que os especialistas ainda não sabem exatamente como os artesãos trabalhavam o metal. “Não importa o quanto você possa explicar teoricamente, tudo depende do mestre que polir a superfície, o que é tremendamente difícil”, disse a Dra. Sung. “É por isso que eles são tão raros.”

Este item foi registado pela primeira vez na coleção de arte asiática do museu em 1961, embora a curadora pense que pode ter sido adquirido muito antes disso. Ela também suspeita que outras instituições e colecionadores estejam na posse de espelhos mágicos sem perceberem. “Encontrei muitos em leilões on-line que têm um design semelhante ao nosso, mas nunca especificam que são espelhos mágicos,” afirma a Dra. Sung.

O Museu de Arte de Cincinnati colocou o “espelho mágico” em exibição no dia 23 de julho.

Referências: Buddhistdoor, CNN.

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