A Realidade da Realidade | Tsering Paldron

Publicado em Atualizado em

“Ao trabalharmos sobre as ideias que temos sobre as coisas, modificamos completamente a nossa experiência do mundo e a nossa realidade.” – Tsering Paldron

Budismo e Realidade

O texto que se segue é a transcrição de 2 vídeos de uma palestra de Tsering Paldron. Confira no final do post os vídeos originais.

O mundo que nós vemos, que cada um de nós experiencia, não é o mundo como ele é. É o nosso mundo; e esse nosso mundo é feito de ideias, de pensamentos, de conceitos, etc.

Já tiveram se calhar aquela experiência, ou já ouviram uma partida que se faz às vezes às pessoas quando alguém não gosta por exemplo de carne de coelho e dão-lhe para comer dizendo que é outra coisa e a pessoa come e delicia-se. Depois dizemos “olha acabaste de comer carne de coelho” e a pessoa automaticamente diz logo “ai que porcaria!”

Imaginem, eu por exemplo dou a provar a alguém uma série de petiscos e peço à pessoa para dizer qual deles é que prefere.

– Ah este é bom que foi preparado pelo chefe X. Diz a pessoa.

– Mas sabe o que acabou de comer? Foi carne de rato!

– Ahhhrrrggggg!

– Não afinal era mesmo coelho.

– Ah que bom!

Primeiro gostou, depois não gostou, depois voltou a gostar. E era exatamente a mesma coisa.

Mas a verdade é que era exatamente a mesma coisa e não era. Porque quando eu sei que é carne de rato a minha experiência daquela mesma carne é uma experiência totalmente diferente.

Isto é um bom exemplo para demonstrar que o mundo com o qual nos relacionamos não é o mundo como ele é. Porque se fosse o mundo como ele é, eu tanto teria gostado da carne quando pensava que era coelho, como quando pensava que era rato, como quando voltava a pensar que era outra coisa qualquer; era igual porque é a mesma coisa. Não mudou nada, a não ser a etiqueta que eu lhe colei e a conotação que vem agarrada a essa etiqueta.

E ainda por cima isto é cultural. Por exemplo, para nós de forma geral marisco é uma coisa boa e agarrado a uma conotação de ser uma coisa cara e um luxo. Mas para quem não tem essa formatação cultural, por exemplo os tibetanos, pensar em comer marisco para eles é um perfeito nojo. Porque para eles são insetos, insetos marinhos. Se pensarmos bem o que comemos quando estamos a comer o interior de uma sapateira… Mas é tudo uma questão de etiqueta, porque para nós é delicioso, tal como a carne de rato para nós é nojento.

Nós não vivemos com o mundo como ele é, não vivemos com as coisas como elas são; vivemos com a nossa ideia sobre o que as coisas são. E é isso que condiciona em grande parte ou em grande percentagem a nossa experiência do mundo. O que condiciona a nossa experiência do mundo não é o que as coisas são, é a ideia que nós temos sobre as coisas.

Ao trabalharmos sobre as ideias que temos sobre as coisas, modificamos completamente a nossa experiência do mundo e a nossa realidade.

A realidade que vemos

Tenho aqui este relógio e eu pergunto por exemplo que cor tem?

Vão dizer certamente que é vermelho, rosado, ou uma cor dessas. Mas isso é uma abstração, não é? Porque se o tivessem que pintar de forma realista teriam que usar muitas outras cores.

Mas agora pensemos noutro aspeto, por exemplo o peso deste objeto.

Eu pego nele ponho-o na balança e ele pesa 200g, por exemplo. E penso nestas características, como a cor, a forma, o peso, como sendo inerentes a este objeto, não é? Isto é, eu meto-o no bolo, levo-o para o Porto e ele continua a ser vermelho, redondo, com 200g e por aí a fora.

Mas isso é mentira…

Se eu pegar nele e o levar para Jupiter, admitindo que isso era possível, ele vai ser mais pesado; se eu pegar nele e o levar para a lua, vai ser mais leve; se for com ele dentro de uma cápsula espacial, ele não tem peso, vai flutuar no espaço. [isso ocorre devido à influência da gravidade]

Então qual é o peso deste objeto?

200g aqui. Aqui nesta realidade. Mas se eu vos perguntar qual é o peso deste objeto fora de qualquer contexto?

Não há resposta não é? É o campo de possibilidades.

Mas depois quando concretizamos um determinado contexto ou uma determinada realidade, aí sim ele tem uma cor, tem um peso, etc. Uma forma inclusive, debaixo de uma pressão maior por exemplo, deixa de ter esta forma. Há condições que nós agora não conseguimos imaginar porque não são condições em que possamos sobreviver, temperaturas por exemplo. Numa determinada temperatura ele também se liquidifica.

Não tem nenhuma característica que lhe seja inerente, todas elas dependem de um determinado contexto, a realidade não é aquilo que a gente pensa. Porque como foi dito anteriormente nós não vemos a realidade que é, nós vemos a realidade que nós concebemos.

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Vídeos originais das palestras:

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Veja também:


Sobre Tsering Paldron | Lista de Mestres e Professores

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