A importância dos Bons Amigos e os 4 tipos segundo o Buda

Publicado em Atualizado em

Trecho do livro “Ensinamentos Fáceis, Verdades Profundas” de Ajaan Anan Akiñcano

Budismo, amigos e amizade

O Buda disse que coisas boas provêm de estar com bons amigos. Eles fazem com que manifestemos as nossas boas características. Tente evitar amizades ruins. Estas são aquelas que nos levam para a bebida, para o jogo e assim por diante, levando a situações danosas. Esse ensinamento também vale para o nosso íntimo. Isto significa evitar se misturar com as forças negativas na nossa mente, ficando, ao invés disso, com os pensamentos e aspirações benéficas. Se fizermos isso bem, então a nossa prática será sólida. Saberemos por nós mesmos o que nos trará a felicidade e qual é o modo benéfico para viver. Assim, mesmo quando estivermos nos socializando com outras pessoas, se elas estiverem tomadas por idéias incorretas ou ainda não entenderem o caminho, nós, mesmo assim, não ficaremos abalados. Isso porque estaremos firmes e porque entendemos por nós mesmos.

O Buda ensinou que devemos nos associar com pessoas boas, sábias, e evitar aquelas que são tolas ou imprudentes. Mas algumas vezes acontece que temos amigos com alguns traços negativos, prejudiciais e queremos ajudá-los. A coisa importante que precisa ser reconhecida é que nós mesmos precisamos estar mentalmente numa posição forte o suficiente para podermos ajudar. Porque se ainda não estivermos firmemente estabelecidos na nossa prática, então é claro que seremos influenciados pelas pessoas com as quais estejamos. Elas nos influenciam, quer seja de um modo dissimulado ou óbvio, e o perigo é que podemos ser afetados e desviar-nos do caminho. Mas se estivermos fortemente estabelecidos na nossa prática – saberemos o que é bom e o que é ruim, o que é certo e o que é errado – então, mesmo se as pessoas tiverem hábitos ruins, nós não seremos influenciados ou afetados. Talvez possamos ajudá-las um pouco, oferecendo conselhos e apoio.

Mesmo o Buda em algumas das suas vidas passadas ainda não estava inspirado a praticar o Dhamma. Ele estava mais interessado em coisas mundanas. Mas numa delas, ele teve um amigo que queria ouvir os ensinamentos do Buda daquela era. E o nosso Buda ainda não tinha fé e não estava interessado em ir. Então, o amigo dele o agarrou pelo cabelo e disse: “Você tem de ir!” Na Índia a cabeça é a coisa mais elevada e respeitada. As pessoas simplesmente não puxam o cabelo sem um bom motivo. O amigo dele literalmente o arrastou até lá. E quando ele viu o Buda, compreendeu a importância dos ensinamentos e começou a praticar. Esse é um exemplo da importância dos bons amigos. Algumas vezes ainda não vemos aquilo que é importante na vida, mas um bom amigo pode conduzir-nos nessa direção.

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Os 4 tipos de amigos segundo o Buda

“Esses quatro, jovem chefe de família, devem ser entendidos como amigos com bom coração:

(1) ele oferece ajuda,
(2) ele é o mesmo na alegria e na tristeza,
(3) ele dá bons conselhos,
(4) ele se compadece.

(1) De quatro formas, aquele que oferece ajuda deve ser entendido como um amigo com bom coração:

(i) ele cuida do negligente,
(ii) ele protege a fortuna do negligente,
(iii) ele se torna um refúgio quando você está em perigo,
(iv) quando você tem compromissos ele lhe dá o dobro dos suprimentos necessários.

(2) De quatro formas, aquele que é o mesmo na alegria e na tristeza deve ser entendido como um amigo com bom coração:

(i) ele revela os próprios segredos
(ii) ele guarda os segredos do outro,
(iii) no infortúnio ele não abandona o outro,
(iv) ele sacrifica a sua própria vida pelo bem do outro.

(3) De quatro formas, aquele que dá bons conselhos deve ser entendido como um amigo com bom coração:

(i) ele o refreia de fazer o mal,
(ii) ele o encoraja a fazer o bem,
(iii) ele o informa acerca daquilo que ele não sabe,
(iv) ele aponta o caminho para o paraíso.

(4) De quatro formas, aquele que se compadece deve ser entendido como um amigo com bom coração:

(i) ele não se alegra com o seu infortúnio,
(ii) ele se alegra com o seu sucesso,
(iii) ele não permite que outros falem mal a seu respeito,
(iv) ele elogia aqueles que falam coisas boas a seu respeito.

Assim falou o Abençoado.

E tendo dito isso, o Mestre disse ainda mais:

O amigo que oferece ajuda,
o amigo na alegria e na tristeza,
o amigo que dá bons conselhos,
o amigo que se compadece –
esses quatro tipos de amigos o sábio
deve neles reconhecer o seu verdadeiro valor
e guardá-los com cuidado no coração
tal como uma mãe o seu próprio filho.”

– Buda, DN 31

Pessoas Admiráveis como bons amigos

“E o que significa ter pessoas admiráveis como bons amigos? É o caso em que um leigo, em qualquer cidade ou vilarejo que ele viva, ele passa o tempo com chefes de família ou filhos de chefes de família, jovens ou idosos, que possuem a virtude desenvolvida. Ele conversa com eles, participa de discussões com eles. Ele emula a convicção consumada daqueles que são consumados em convicção, virtude consumada daqueles que são consumados em virtude, generosidade consumada daqueles que são consumados em generosidade e sabedoria consumada daqueles que são consumados em sabedoria. A isto se denomina ter pessoas admiráveis como bons amigos.” – Buda, AN VIII.54

“Então o venerável Ananda foi até o Abençoado e depois de cumprimentá-lo sentou a um lado e disse:

Venerável senhor, isto é metade da vida santa, ter pessoas admiráveis como bons amigos, companheiros e camaradas.

Não diga isso, Ananda. Não diga isso, Ananda. Essa é toda a vida santa, Ananda, isto é, ter pessoas admiráveis como bons amigos, companheiros e camaradas. Quando um bhikkhu tem pessoas admiráveis como bons amigos, companheiros e camaradas, é de se esperar que ele desenvolva e se dedique ao nobre caminho óctuplo.” – Buda, SN XLV.2

Os Tolos e os Nobres

“Bom é ver os nobres,
sempre bom estar em sua companhia.
Não ter que lidar com os tolos
sempre traz felicidade.

Deveras quem permanece com os tolos
sofre por muito tempo.
a companhia dos tolos é sempre dolorosa,
como uma parceria com um inimigo.
Mas a companhia dos sábios traz a felicidade,
como o encontro com um parente confiável.

Portanto busque a companhia do nobre que é sábio, estudado,
sólido na virtude, determinado (por nibbana).
Alguém assim deve ser seguido,
tal como a Lua segue o caminho das estrelas.”

– Buda,  Dhp 206-208

“Eu estou cego,
os meus olhos estão destruídos
Eu tropecei
em uma trilha na floresta.
Mesmo
se eu precisar rastejar,
eu continuarei,
porém não com um companheiro ruim.”

– Buda, Thag 95

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