De acordo com a psicologia, ajudar os empregados a limpar a mesa num restaurante pode ser entendido como uma manifestação de comportamento empático. A atitude de ajudar, seja por exemplo organizando os pratos para o empregado levar ou recolher as chávenas de café ao sair, ou mesmo apenas pequenos gestos de atenção como desimpedir a passagem e agradecimento pelo atendimento, mais do que simples educação, podem refletir consideração pelos outros, consciência social e disponibilidade para cooperar.
Quando uma pessoa ajuda a organizar a mesa depois de comer, ela demonstra que não vê o atendimento como uma relação fria entre cliente e funcionário. Existe uma perceção do esforço envolvido no trabalho de quem serve, limpa e mantém o ambiente funcionando, principalmente em horários de pico, em que o trabalho é mais pesado. É um comportamento que geralmente costuma aparecer em pessoas que prestam atenção ao impacto das suas próprias ações. É o reconhecimento de que, por detrás do serviço, existe alguém com responsabilidades, cansaço, limitações e necessidades, tal como nós. E, na maioria das vezes, é um reflexo de hábitos e atitudes mais profundos, formados muito antes da pessoa entrar no restaurante.
Um gesto isolado, no entanto, não permite determinar as motivações ou a personalidade de quem o pratica. Esta distinção é importante, não ajudar a arrumar uma mesa não significa necessariamente falta de empatia ou indiferença pelos outros. Existem diferentes razões pelas quais alguém pode não tomar essa iniciativa, incluindo simplesmente não se aperceber de que poderia ajudar ou considerar que a limpeza da mesa é uma tarefa que deve deixar ao cuidado do empregado. O valor de um gesto não deve servir para julgar quem não o pratica. De igual modo, a ajuda também nem sempre é um sinal de empatia, pois outros fator podem estar envolvidos, incluindo desconforto com a desordem ou necessidade de reconhecimento.
E como em tudo, é preciso bom senso. Ajudar não deve ser encarado como uma obrigação, nem deve substituir ou atrapalhar o funcionário. A gentileza genuína não deve tornar-se num esforço excessivo para agradar e nem ser confundida com submissão, ela manifesta-se naturalmente em comportamentos equilibrados, tendo em consideração aquilo que é realmente útil para o outro.
Esta atenção à experiência alheia tem um paralelo interessante com os ensinamentos budistas. No budismo, mettā (boa vontade ou bondade amorosa) e karuṇā (compaixão) são qualidades que se procura cultivar na relação com todos os seres. A primeira indica uma disposição genuína para desejar o bem-estar dos outros; a segunda envolve sensibilidade perante o sofrimento alheio e a vontade de contribuir para o seu alívio. Estas qualidades não se manifestam apenas em grandes gestos ou em momentos extraordinários, mas também estão presentes na forma como nos relacionamos com as pessoas nas situações comuns do dia a dia. Muitas vezes as pessoas dizem que não têm tempo para praticar, mas a prática do Dharma não se limita à meditação ou ao estudo dos ensinamentos, estende-se também à forma como agimos e convivemos com os outros.
Gestos simples do dia a dia, embora pareçam banais, têm impacto nos outros. Esse é um olhar que costuma aparecer igualmente em outros ambientes, como casa, trabalho, escola ou encontro com amigos; e notório em diversas pequenas ações como simplesmente agradecer quando um carro cede passagem (seja a pessoa um peão ou outro condutor), cumprimentar o trabalhador da limpeza que encontramos habitualmente na nossa rua, segurar a porta para alguém que vem atrás de nós, ouvir sem interromper, ter o cuidado de não deixar uma tarefa desnecessariamente mais difícil para outra pessoa, etc.
Referência: What Psychology Says About People Who Help Clear the Table at a Restaurant (The Economic Times).
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