Muitas vezes nos envolvemos em discussões, que tenhamos ou não razão, não levam a lado nenhum e só produzem mal-estar. Podem existir certas situações em que é preciso nos impormos e marcarmos uma posição, mostrarmos que temos razão pode ser importante; mas a verdade é que muitas vezes não é, se metêssemos o orgulho de lado, várias discussões não eram alimentadas e terminavam pouco depois de começarem.
A seguinte história não surgiu no seio do budismo, mas é uma importante reflexão que creio estar de acordo com o pensamento budista. A pequena história, que até é bem conhecida e já tem muitos anos, segundo consta foi partilhada pela primeira vez por uma empresária durante uma palestra sobre simplicidade no trabalho.
Oito da noite, numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Ele tem certeza de que é à direita.
Discutem, percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
– Se tinhas tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devias ter insistido um pouco mais…
E ela diz:
– Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!
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