Budismo Geral

Porque monges e monjas rapam a cabeça? Leigos também devem rapar?

Siddhartha Gautama, antes de abandonar o palácio e buscar um caminho para o despertar, era um príncipe e tinha longos cabelos. Os seus cabelos eram um símbolo da sua posição social. Quando Siddhartha sai do palácio ele corta o seu cabelo, ele renuncia assim à sua posição e a qualquer tipo de casta.

Após o despertar do Buda e o estabelecimento da ordem monástica, esse mesmo principio é implementado. Monges e monjas vestem a mesma roupa e rapam a cabeça, de forma que a partir daquele momento são todos iguais na possibilidade de alcançar a iluminação e, portanto, iguais na Ordem, sem qualquer distinção. Não importa se foram de casta baixa ou alta, pobres ou ricos, todos são a mesma coisa e todos podem despertar.

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Rapar a cabeça pelos monásticos também visa refrear a vaidade. Ajahn Jayasāro no livro “Por Fora e Por dentro” diz que: “O cabelo é um dos maiores focos do desejo humano para embelezar o corpo e projetar uma imagem particular ao mundo. Os monges rapam o cabelo como uma expressão da sua aspiração à renúncia da vaidade pessoal.” O cabelo deixa de ser uma preocupação para os monges, torna a vida mais simples e serve como um lembrete da renúncia (para eles próprios e para os outros). No Budismo Zen quando a cabeça é rapada simbolicamente também significa cortar os fios da ignorância.

Monges e monjas geralmente raspam a cabeça uma vez por mês (na lua cheia) ou duas vezes por mês (acrescentando a lua nova).

Note que na estatuaria budista o Buda geralmente é representado com cabelo encaracolado. Mas o Buda, assim como o monges e monjas rapavam a cabeça e vestiam-se de forma igual. A estátua na realidade não pretende representar fisicamente o Buda mas sim transmitir certas qualidade. A estátua foi influenciada pela arte grega e nas primeiras estátuas era notório as túnicas gregas e o cabelo de características gregas. Com o tempo a estátua foi ganhando outras características e simbologia budista. Algumas tradições dizem que o cabelo encaracolado significa a interdependência com tudo o que existe.

E quanto aos leigos e leigas, também devem raspar a cabeça?

Não, leigos e leigas não precisam de rapar a cabeça, mas também não há qualquer impedimento se o quiserem fazer, podem ter o cabelo que pretenderem.

Em alguns países existe a tradição de uma ordenação temporária, isto é, ser monge durante um certo tempo, geralmente de 10 dias a 3 meses e depois voltar à vida leiga. Nessa caso, como houve uma ordenação, então sim a cabeça é rapada. Mas essa é uma situação específica. Fora isso, leigos e leigas seguem a sua vida normal, podem ter o cabelo como bem pretenderem. Mesmo se forem a retiros ou passarem alguma temporada num mosteiro (que até pode chegar a meses), uma vez que são leigos e não são monges ordenados não há qualquer exigência nesse sentido.

Leigos que se tornaram professores budistas também não precisam rapar a cabeça. No budismo tibetano existem lamas (mestres) que não são considerados leigos mas também não são monges, como tal eles não precisam ser celibatários e nem rapar a cabeça.

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